Hospital Colônia de Barbacena encerra atividades e marca fim de um capítulo doloroso na saúde
O Hospital Colônia de Barbacena, símbolo do “Holocausto Brasileiro”, encerra suas atividades, marcando uma nova era na saúde mental. Descubra os detalhes dessa
Encerramento das Atividades do Hospital Colônia de Barbacena
O Hospital Colônia de Barbacena, conhecido como símbolo do “Holocausto Brasileiro”, encerrou suas atividades. A desinstitucionalização dos últimos pacientes foi oficializada em uma cerimônia realizada nesta segunda-feira (25). Este hospital foi o primeiro psiquiátrico público de Minas Gerais.
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De acordo com a Prefeitura de Barbacena, o fechamento marca o fim de “um capítulo doloroso da saúde mental no Brasil, abrindo caminho para uma nova era fundamentada na dignidade humana, na liberdade e no cuidado humanizado”.
Inaugurado em 1903 como Sanatório de Barbacena, o local inicialmente destinava-se ao tratamento da tuberculose. Em 1911, passou a funcionar como um hospital psiquiátrico e se tornou um símbolo de um modelo manicomial caracterizado por superlotação e abandono.
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Com a transferência dos últimos 14 pacientes para um lar terapêutico na cidade, o Centro Hospitalar Psiquiátrico continuará a ser referência para crises agudas e atendimentos ambulatoriais, conforme os critérios estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Cerimônia de Encerramento
A cerimônia de encerramento contou com a presença do secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, do prefeito de Barbacena, Carlos Augusto Soares do Nascimento, da presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Renata Dias, além de ex-pacientes e diversas autoridades locais e estaduais.
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Durante o evento, foi realizado o fechamento simbólico da porta do Pavilhão Antônio Carlos com um cadeado.
Histórico e Impacto do Hospital
A cerimônia também reuniu gestores, profissionais da saúde, assistidos, familiares e membros da comunidade, muitos dos quais participaram ativamente da transformação da política de saúde mental no município. Atualmente, Barbacena possui Serviços de Residências Terapêuticas (SRT), que acolhem mais de 160 moradores.
Essas residências, inseridas na comunidade, são espaços que promovem a reconstrução de vínculos, autonomia e cidadania para aqueles que passaram longos períodos internados e perderam o convívio familiar.
Segundo o Governo de Minas Gerais, os moradores do hospital viveram, em média, 49 anos internados. A idade média atual é de 73 anos, e três deles foram internados antes de completar 15 anos. Muitos foram acolhidos em uma época em que situações de abandono familiar e comportamentos considerados inadequados pela sociedade resultavam em confinamento.
Embora parte dessas histórias não tenha registro completo, os números conhecidos revelam a gravidade da situação.
O Legado do Hospital Colônia
Entre 1942 e 2020, cerca de 40 mil pessoas passaram pela instituição, com aproximadamente 24 mil mortes registradas. Em determinados momentos, o local chegou a abrigar 3.500 pacientes simultaneamente. “Quando era estudante, visitei este lugar e isso definiu minha carreira, com a missão de defender a dignidade dessas pessoas. É nosso dever garantir que tenham um final de vida digno e reparar esse passado”, afirmou Lourdes Machado, presidente do Conselho Estadual de Saúde.
Os atos cometidos ao longo das décadas no Hospital Colônia foram retratados em diversas obras, incluindo o livro-reportagem “Holocausto Brasileiro”, da autora Daniela Arbex. A obra revela os horrores e as violações de direitos humanos ocorridas na Colônia de Barbacena, onde mais de 60 mil pessoas foram internadas à força, muitas vezes sem diagnóstico de doenças mentais.
O documentário “Holocausto Brasileiro”, produzido pela HBO em 2016, também expõe as condições desumanas enfrentadas pelos pacientes do maior hospício do Brasil.