Copasa: Protesto Explosivo em BH contra Privatização!
Hamilton Amadeo no centro da denúncia!
Acionistas, irregularidades e forte rejeição popular.
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Em uma demonstração de forte oposição, trabalhadores da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e diversos movimentos sociais se reuniram na manhã de segunda-feira (23) em frente à sede da empresa, em Belo Horizonte. O protesto visava denunciar a realização de uma assembleia de acionistas, que pautava a privatização da estatal, e as irregularidades que cercam o processo.
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O ponto central da manifestação era a figura de Hamilton Amadeo, ex-presidente do Conselho de Administração da Copasa, que renunciou em fevereiro após admitir seu envolvimento em um esquema de pagamento de propina enquanto era CEO da Aegea. A situação se agravou com a revelação de que Amadeo, em acordo de leniência com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), confessou ser um dos líderes do esquema, que incluía o suborno de deputados e autoridades para viabilizar a privatização de empresas públicas.
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais (Sindágua-MG) criticou veementemente a convocação da assembleia por Amadeo, considerando-a “quebra de legalidade e moralidade” do processo.
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A entidade questionava como um réu confesso poderia participar da definição do futuro da Copasa e do saneamento em Minas Gerais. A deputada estadual Bella Gonçalves (Psol) também agiu, apresentando representações na Procuradoria da República e no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG), solicitando a suspensão dos atos relacionados à desestatização da companhia, devido a indícios de crimes e irregularidades.
A medida de privatização da Copasa enfrenta forte rejeição popular. Uma pesquisa da Associação Mineira de Municípios (AMM), divulgada em dezembro de 2025, revelou que quase 60% dos moradores de Minas Gerais eram contrários à venda da companhia.
Outra consulta, organizada em 2024 por movimentos sociais, partidos políticos e sindicatos, indicou uma reprovação ainda maior, chegando a 95%.
O Sindágua-MG argumenta que a assembleia de acionistas teve o objetivo de “pavimentar o caminho definitivo para a entrega do patrimônio ao setor privado”. O sindicato busca anular os efeitos da reunião, alertando para o risco de que o mesmo esquema de pagamentos de propina envolvendo a Aegea possa estar ocorrendo com a Copasa, e questionando se algum deputado pode ter recebido suborno para votar pela privatização.
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) já havia aprovado o projeto de lei autorizando a privatização em dois turnos, em 2025, mas a medida continua gerando grande preocupação entre trabalhadores, especialistas e a população.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.