Haiti: Greve Operária Intensifica Pressão por Salários e Justiça Social
Aumento salarial e greve operária chocam Haiti! Manifestantes exigem fim da miséria e condições dignas de trabalho. Saiba mais.
Aumento Salarial e a Luta Operária no Haiti
Após um mês de abril marcado por intensas manifestações populares e trabalhistas, o governo interino do Haiti anunciou, na segunda-feira (4), um ajuste no salário mínimo para trabalhadores terceirizados. O anúncio, embora abaixo do que era exigido pelos grevistas, representou um reconhecimento da crescente mobilização sindical que se intensificou nas últimas semanas, impulsionada pelo aumento do preço da gasolina.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O Ministério da Economia e Finanças garantiu que o reajuste salarial se estenderia a outros setores, um a um, sem uma agenda predefinida. No entanto, a resposta tem sido lenta e gradual, como se observa no setor da saúde, onde trabalhadores em greve ainda lutam pelo pagamento de salários atrasados.
No Hospital Justinien, em Cabo Haitiano, a retomada das atividades ocorreu após negociações satisfatórias, enquanto o Hospital La Paix, em Porto Príncipe, continua com a mobilização dos trabalhadores.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Desafios e Demandas da Classe Trabalhadora
A estratégia do governo parece ser, em grande parte, uma medida para ganhar tempo, enquanto os trabalhadores enfrentam salários considerados miseráveis, que não atendem às necessidades básicas da população. Além disso, as condições de trabalho nas usinas são precárias.
O sindicalista Ferdinand Jean-Mary, coordenador do Coletivo dos Professores para a Renovação da Educação no Haiti (Ceneh), ressalta que a inflação, em torno de 25% a 30%, dificulta ainda mais a compra de itens essenciais.
Leia também
A demanda não se limita a um aumento salarial, mas a um reajuste que acompanhe o custo de vida. Jean-Mary aponta para a necessidade de resolver problemas estruturais, como a falta de merenda e bancos nas escolas públicas. A insegurança, a impossibilidade de circular livremente nas principais estradas, bloqueadas por gangues armadas, e a falta de vontade do governo em solucionar essa questão, são consideradas um crime contra os trabalhadores.
União e Busca por Soluções
Diante de uma estratégia de divisão e tratamento de cada demanda como independente, os movimentos e organizações buscam manter a mobilização e construir uma união da classe trabalhadora em busca de uma saída à crise política e social do país.
Em 2025, foi criada a Central Unitária dos Trabalhadores dos Setores Públicos e Privados do Haiti (Cutraseph), um guarda-chuva nacional de sindicatos. Um dos principais temas nos debates é a necessidade de resgatar um estado democrático e soberano, com eleições regulares e credíveis, garantindo segurança e livre circulação.
Apesar dos esforços da Polícia Nacional Haitiana, das intervenções internacionais e da contratação de mercenários, a situação da segurança não melhorou. Muitos desconfiam da boa vontade das autoridades em resolver o problema. A única solução, segundo alguns, seria uma saída revolucionária, mas as condições para isso ainda não estão reunidas, devido à insegurança e à presença de gangues nos bairros populares.