O Haiti atravessa um período de intensa escalada de violência. Relatos indicam que, na semana anterior, ataques perpetrados por gangues resultaram em mais de 70 mortes. Em resposta, o Exército decretou um estado máximo de emergência militar, que teve início nesta segunda-feira, dia 6.
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O objetivo principal é conter os ataques dos grupos criminosos e restaurar um mínimo de tranquilidade na região.
A jornalista e correspondente do Brasil de Fato no Haiti, Cha Dafol, comentou com o Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, sobre o clima de tensão no país e detalhou o modo de operação dessas facções. Ela descreveu um ambiente de terror constante.
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Dafol explicou que os ataques podem ocorrer a qualquer momento. Ela relatou que, após períodos de aparente calma, a população é surpreendida por ataques violentos, como os que ocorrem de madrugada. Esses incidentes forçam os moradores a deixarem suas casas, gerando um caos que se estende por dias.
Segundo estimativas citadas por Dafol, a capital haitiana, Porto Príncipe, possui quase 80% de seu território sob a influência desses grupos armados. Além da violência direta, ela apontou que certas áreas atacadas pelas gangues detêm posições estratégicas, especialmente no que tange ao tráfico de drogas.
Esse cenário de violência extrema tem gerado um grave problema humanitário: os refugiados internos. Dafol observou que o conflito não se restringe a um local, pois os deslocamentos de terror reverberam em municípios vizinhos. As regiões adjacentes acabam recebendo essas pessoas em suas casas e escolas, exigindo um esforço de contenção nacional.
Questionada sobre os objetivos das gangues, Cha Dafol foi enfática ao afirmar que é muito difícil determinar quem financia ou quem está por trás dessas ações. Ela destacou que os alvos não são aleatórios.
Os ataques visam instituições cruciais, como hospitais, prédios públicos, universidades e a imprensa. Para a jornalista, não se trata apenas de uma guerra entre gangues, mas sim de uma estratégia maior. Ela concluiu que a função aparente é manter um estado de “não Estado”, um caos generalizado.
O jornal abordou o tema em duas edições diárias, de segunda a sexta-feira, na Rádio Brasil de Fato. A primeira transmissão ocorreu ao meio-dia e a segunda às 17h, na frequência de 98.9 FM na Grande São Paulo.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.
