Haddad anuncia pacote fiscal com economia de R 70 bi e novas regras para BPC e seguro-desemprego

Especialistas veem pacote como tímido diante da dívida, com risco fiscal no radar e câmbio pressionado caso o Congresso não aprove as mudanças.

Sede da CBF, no Rio de Janeiro

Como o mercado reagiu ao novopacote fiscal anunciado pelo governoO governo apresentou, nesta quarta – feira (18), o novo pacote de medidas fiscais que promete ajustar as contas públicas. A equipe econômica calcula uma economia de R 70 bilhões nos próximos dois anos, com revisão de benefícios e cortes em despesas obrigatórias. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista coletiva em Brasília. As mudanças começam a valer já em 2026, com impacto direto no orçamento do próximo ano. O que muda na prática para o trabalhador As medidas incluem a nova rodada do programa de revisão do BPC (Benefício de Prestação Continuada). O governo espera reduzir filas e pente – fino no INSS, que deve gerar economia de R 12 bilhões por ano. Também haverá mudanças no abono salarial, que passa a ser pago apenas para quem recebe até um salário mínimo e meio. Já o seguro – desemprego terá novas regras de carência. O trabalhador que pedir demissão ou for demitido por justa causa perde o direito ao benefício. A medida vale para pedidos feitos a partir de 1º de março. Segundo o Ministério do Trabalho, a mudança atinge cerca de 1,2 milhão de pessoas por ano. Repercussão entre os especialistas Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o pacote é tímido em relação à dívida pública. A projeção do mercado aponta crescimento de 2,1% do PIB em 2026, mas o risco fiscal segue no radar. Para a economista – chefe da XP, Tatiana Nogueira, as medidas são um primeiro passo, mas não resolvem o problema estrutural. “O ajuste é bem – vindo, mas o governo precisa de uma agenda mais ampla de desvinculação de receitas”, afirmou. Ela ainda destacou que o câmbio deve seguir pressionado caso o Congresso não aprove as mudanças. Próximos passos no Congresso O projeto de lei complementar segue agora para análise na Câmara dos Deputados. O relator será o deputado José Guimarães (PT – CE), que promete dar parecer até o fim do mês. A votação deve ocorrer em regime de urgência, antes do recesso parlamentar. O líder do governo na Casa, deputado Randolfe Rodrigues (sem partido – AP), disse que há acordo para aprovar o texto com ajustes. “O que vier para melhorar a eficiência do gasto, nós vamos apoiar”, declarou. A oposição, por outro lado, promete obstruir a pauta e apresentar destaques para retirar pontos do texto. Impacto nos juros e no bolso do consumidor O Banco Central já sinalizou que deve elevar a Selic para 15% na próxima reunião, em março. A alta deve encarecer o crédito e frear o consumo. Para quem tem dívidas no rotativo do cartão, a taxa média já chega a 400% ao ano, segundo a Anefac. A expectativa é que os juros comecem a cair apenas no segundo semestre, caso o pacote fiscal seja aprovado e a inflação fique dentro da meta. O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,8%, acima do teto de 4,5% definido pelo CMN. Com o cenário incerto, a recomendação dos analistas é evitar novas dívidas e renegociar os débitos existentes. O consumidor que estiver endividado pode procurar os canais oficiais dos bancos para renegociar com descontos.