Hackers da Coreia do Norte criam plataforma de emprego falsa para roubar dados e dinheiro, visando candidatos em áreas como IA e criptomoedas.
Operativos da Coreia do Norte desenvolveram uma plataforma de inscrição falsa para atrair candidatos em busca de vagas em grandes empresas dos EUA, especialmente nas áreas de inteligência artificial e criptomoedas. O objetivo do golpe é roubar dinheiro e conhecimentos técnicos para o regime de Kim Jong Un, conforme revelaram pesquisadores nesta quinta-feira (20).
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Essa nova abordagem é uma variação de uma campanha que já dura anos, focada em invadir sistemas de empresas da lista Fortune 500. Agora, os hackers tentam acessar os computadores de candidatos a emprego antes que eles sejam contratados, segundo a empresa de segurança Validin, que identificou o esquema.
“Atacar os candidatos a emprego oferece uma grande vantagem aos hackers norte-coreanos. Em vez de tentar superar as defesas de um empregador, eles controlam todo o processo de contratação, fazendo parecer legítimo para os indivíduos”, afirmou Kenneth Kinion, CEO da Validin, à CNN.
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Ele destacou que os candidatos acreditam estar participando de um teste de codificação ou seguindo etapas para uma oportunidade de emprego, o que aumenta a probabilidade de que executem qualquer solicitação do suposto entrevistador.
A plataforma falsa imita o estilo e o conteúdo do Lever, uma conhecida plataforma de recrutamento com milhares de clientes. Entre os empregos fictícios oferecidos, destaca-se a vaga de “gerente de produto” relacionada ao Claude, um modelo de IA desenvolvido pela empresa Anthropic, localizada em São Francisco.
A tecnologia da Anthropic está em alta demanda, e a empresa anunciou recentemente um investimento de US$ 30 bilhões na capacidade de computação da Microsoft para expandir o uso do Claude. A CNN buscou comentários da Lever, da Anthropic e de outras empresas envolvidas no esquema, mas não obteve resposta imediata.
De acordo com Kinion, muitos candidatos não desejam que seus empregadores atuais saibam que estão em busca de novas oportunidades, o que dificulta a denúncia de atividades suspeitas e facilita a ação dos atacantes.
Embora Kinion não tenha conhecimento de vítimas do esquema até o momento, muitas pessoas já foram alvo de campanhas anteriores de espionagem industrial ligadas à Coreia do Norte. Por anos, hackers desse país têm utilizado identidades falsas e, em algumas ocasiões, conseguido passar em entrevistas para se infiltrar em empresas americanas.
Esses hackers frequentemente enviam o dinheiro obtido de volta para Pyongyang, apoiando o programa de armas ilegais do regime, conforme especialistas e autoridades dos EUA. Uma investigação anterior da CNN revelou que o fundador de uma startup de criptomoeda na Califórnia pagou, sem saber, uma quantia significativa a um engenheiro norte-coreano, sendo notificado posteriormente pelo FBI.
Nos últimos anos, hackers norte-coreanos também roubaram bilhões de dólares de bancos e empresas de criptomoedas, segundo relatórios da ONU e de empresas privadas. Um oficial da Casa Branca estimou que, em 2023, metade do programa de mísseis da Coreia do Norte foi financiada por ciberataques e roubo de criptomoedas.
Uma série de acusações e sanções nos EUA aumentou a conscientização sobre a ameaça representada por trabalhadores de TI infiltrados. Especialistas afirmam que Pyongyang adaptou suas táticas em resposta a essas ações.
“Esses operadores parecem ter privilégios elevados, muito além do que um trabalhador de TI padrão recebe, o que é evidente pelas suas atividades mais maliciosas”, comentou Michael Barnhart, pesquisador especializado em Coreia do Norte na DTEX Systems. “Isso reforça a ideia de que essas atividades fazem parte de um ecossistema mais amplo e bem integrado dentro das operações cibernéticas da Coreia do Norte.”
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Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.