Guidara projeta que carne Wagyu represente mais de 50% da receita em 2026
Guidara investe na produção de carne Wagyu e projeta crescimento significativo nas exportações, visando atender à demanda crescente por cortes premium.
A Guidara Meat & Co. planeja aumentar a participação da carne Wagyu em seu faturamento em 2026 e se prepara para uma nova rodada de investimentos para apoiar o crescimento da operação. O CEO da empresa, Daniel Steinbruch, revelou que a expectativa é que o Wagyu represente mais de 50% da receita neste ano, um aumento em relação aos 37% registrados em 2025.
A mudança no perfil de consumo, que prioriza carnes de maior valor agregado, está no centro da estratégia da companhia. A Guidara aposta em cortes menores, entre 300 a 400 gramas, para oferecer qualidade e um valor percebido superior aos consumidores que buscam consumir menores quantidades de proteína. “Nosso crescimento está mais voltado para o Wagyu”, destacou Steinbruch.
Investimentos na produção e estrutura
Para atender à crescente demanda por carne Wagyu, a Guidara está investindo na produção própria. Steinbruch informou que quatro novos confinamentos estão sendo construídos nas fazendas da empresa, com foco também na ampliação do plantel e no uso de fertilização in vitro.
Essas iniciativas deverão ser acompanhadas por melhorias na infraestrutura industrial.
A empresa já aprovou uma reforma que incluirá a ampliação da unidade de processamento. As obras estão programadas para serem realizadas no final do ano, durante as férias coletivas.
Além disso, a estratégia de crescimento inclui um foco maior nas exportações. A Guidara começou a estruturar suas operações internacionais em 2024 e, em 2026, já comercializa carne Wagyu para países como Chile, Egito, Emirados Árabes Unidos, Maldivas e Reino Unido.
De acordo com Steinbruch, a redução dos rebanhos nos Estados Unidos e Austrália — tradicionais fornecedores globais de carne bovina premium — abriu novas oportunidades para importadores buscarem novos fornecedores.
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Caminhos para o mercado internacional
Steinbruch acredita que o Brasil pode se consolidar no mercado internacional de Wagyu. O avanço dos mecanismos de certificação e classificação da carne produzida no país é um fator importante nesse processo. A Associação Brasileira dos Criadores de Wagyu passou a utilizar uma câmera japonesa para classificar os animais, tecnologia também utilizada no Japão e na Austrália.
Essa inovação aumenta a padronização e previsibilidade do produto comercializado.
A busca por qualidade também se reflete em um programa de melhoramento baseado em genômica iniciado pela associação há três a quatro anos. Ao mesmo tempo, a Guidara realiza importações estratégicas de genética australiana a cada dois anos para acelerar a seleção genética no Brasil e melhorar os níveis de marmoreio dos animais abatidos.
Perspectivas do mercado
A produção de Wagyu acontece em um cenário diferente do convencional na pecuária de corte. Embora seu preço esteja ligado à cotação da arroba e sujeito às oscilações do ciclo pecuário, Steinbruch ressalta que a menor oferta da raça ajuda a mitigar essas flutuações tradicionais de oferta e demanda.
Com isso, momentos de alta nos preços do boi podem favorecer o consumo de produtos premium em embalagens menores. A lógica é simples: o consumidor não avalia apenas o preço por quilo, mas sim o desembolso total durante uma ocasião específica. Assim, uma porção de Wagyu de 300 gramas pode ser uma alternativa viável para quem não deseja adquirir uma peça maior de carne convencional.
Com essa combinação — aumento na participação do Wagyu na receita, construção de novos confinamentos e ampliação das exportações— a Guidara Meat & Co. busca transformar sua linha de carnes premium no principal motor de crescimento nos próximos anos.