“Guerreiros do Sol” revela verdades e mentiras sobre Lampião; o que Wagner G. Barreira contou?

Wagner G. Barreira analisa as verdades e mentiras por trás da novela “Guerreiros do Sol”. Quais são as adaptações e realidades sobre Lampião e Maria Bonita?

(Imagem de reprodução da internet).

Novela “Guerreiros do Sol” e a História de Lampião e Maria Bonita

Com a aproximação do desfecho da novela “Guerreiros do Sol”, que se inspira na vida de Lampião e Maria Bonita, o público tem sido impactado pelas intensas cenas de violência protagonizadas por Josué (Thomás Aquino) e Rosa (Isadora Cruz). A série é uma adaptação do livro de Frederico Pernambucano de Mello, lançado em 1985, que narra a trajetória dos cangaceiros no sertão brasileiro, especialmente no início dos anos 1930.

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Mas quais partes da história são reais e quais são ficcionais? Para esclarecer essas questões, a CNN entrevistou o escritor Wagner G. Barreira, autor de “Lampião e Maria Bonita, uma história de amor e balas” (Editora Planeta, 2018).

Barreira descreve sua obra como uma “ficção coletiva”, um conceito desenvolvido pelo filósofo Hans Magnus Enzensberger. Ele explica que a narrativa sobre Lampião é moldada por diferentes narradores que, ao longo do tempo, adaptaram os eventos às suas próprias visões e interesses. “A história de Lampião é contada de várias formas, desde o herói que lutou contra desigualdades até o bandido sem escrúpulos.

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Essas narrativas refletem a complexidade de Lampião, que foi tudo isso e muito mais”, afirma.

Personagens e Nomes na Novela

Na novela, os nomes dos personagens foram alterados, o que dificulta a pesquisa sobre os fatos reais. Além de Josué e Rosa, outros personagens também têm nomes diferentes, como Mariquinha, irmã de Lampião, e Sinhô Pereira, que na trama é Miguel Ignácio (Alexandre Nero).

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Gasolina (Ênio Cavalcante) era conhecido como Zé Baiano, e Cheiroso (Rodrigo Garcia) se chamava Dadá. O libanês Benjamin Abraão Calil Boto, secretário de padre Cícero, também é mencionado. O padre, representado como padre Bida (Rodrigo Lélis), não tinha relação de parentesco com Lampião, apesar de se conhecerem.

Esclarecimentos sobre a História

Entre as perguntas que surgem sobre a trama, uma delas é se Josué e seus irmãos realmente se juntaram ao bando de Miguel Inácio após a morte do pai. Na verdade, Lampião teve vários antecessores no cangaço, sendo Jesuíno Brilhante um dos mais notáveis.

O cangaço, como fenômeno social, remonta ao final do século XIX, e Lampião se uniu ao bando de Sinhô Pereira na década de 1920.

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Outro ponto discutido é o encontro entre Lampião e Maria Bonita. Ao contrário do que é mostrado na novela, Maria era filha de um “coiteiro” e conheceu Lampião em visitas à sua fazenda. A relação deles começou a partir de uma apresentação de Luís Pedro, um dos tenentes de Lampião, que falou sobre a beleza de Maria.

Traições e Relações Familiares

Na novela, a traição de Arduíno, irmão de Josué, é um elemento central. Contudo, na realidade, Lampião não tinha um irmão traidor. Seus irmãos, Antonio e Livino, se juntaram a ele no cangaço após a morte do pai. A mãe de Lampião, Maria Lopes, tinha problemas de saúde, mas não psicológicos, e faleceu antes da morte de seu marido.

Além disso, a irmã de Rosa, Otília, que se junta ao cangaço, não tem um paralelo direto com a vida real de Maria Bonita, que tinha muitos irmãos, mas foi acompanhada por sua cunhada, Mariquinha, ao se unir a Lampião.

A Imagem de Lampião e sua Fama

Enquanto Josué é retratado como um Robin Hood, Lampião conquistou o respeito dos sertanejos por sua bravura, embora também tenha se imposto pelo terror. Ele era conhecido por ser um homem de palavra e por seu senso de justiça, mas tinha fama de ser econômico com suas riquezas.

As festas que organizava surgiram mais tarde, quando se estabeleceu na Bahia.

Sobre a vaidade, Lampião era conhecido por sua preocupação com a aparência, utilizando uniformes que se destacavam. Ele chegou a encomendar roupas a alfaiates e era famoso por seu trabalho em couro. A estética do cangaço, com adornos e perfumes, também era uma parte importante de sua imagem.

Fama e Relações Políticas

Por fim, a busca de Josué por fama e reconhecimento é um tema recorrente. Lampião, por sua vez, também desejava ser conhecido e teve uma famosa entrevista com o médico Octacílio Macedo, onde se descreveu como um homem de negócios. Ele mantinha relações com figuras políticas, como Erônides Carvalho, que lhe ofereceu luxos em seu primeiro encontro.

Esses aspectos revelam a complexidade da figura de Lampião, que, assim como os personagens da novela, é cercado de mitos e realidades que se entrelaçam ao longo da história.