Impactos da Guerra no Oriente Médio nas Economias Dependentes de Petróleo
A interrupção do fluxo comercial das petroleiras pelo Estreito de Ormuz, devido à guerra no Oriente Médio, revela a fragilidade das economias que dependem do petróleo que transita por essa região. O mercado financeiro já sentiu os efeitos, com o preço do barril fechando a US$ 92,69 na primeira semana do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
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Embora o Brasil esteja entre os dez maiores produtores de petróleo do mundo, a situação do refino de combustíveis no país é preocupante. O Brasil possui 18 refinarias, com uma capacidade instalada de cerca de 2,4 milhões de barris por dia (bpd), mas apenas processa cerca de 2 milhões de bpd, segundo dados do IBP.
Vulnerabilidade no Refino de Combustíveis
As refinarias brasileiras atendem aproximadamente 70% da demanda de diesel e 85% da demanda de gasolina. Isso significa que o país não é autossuficiente e precisa importar cerca de 30% do diesel e de 10% a 15% da gasolina, conforme afirma Sergio Araujo, presidente-executivo da Abicom.
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Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, destaca que essa vulnerabilidade se tornou mais evidente com o início do conflito. Os spreads de refino do diesel e da gasolina aumentaram significativamente, elevando os preços de paridade de importação e exportação (IPP) acima dos preços domésticos.
O Papel da Petrobras e Seus Investimentos
A Petrobras, que representa 75% da capacidade de refino do Brasil, planeja investir US$ 15,8 bilhões até 2030 para expandir e modernizar seu parque de refino. O objetivo é aumentar a produção de combustíveis de alta qualidade e baixo carbono, conforme o Plano de Negócios 2026-2030.
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Apesar de ter alcançado um fator de utilização de 91% em suas refinarias em 2025, a Petrobras ainda enfrenta desafios, pois os combustíveis foram os produtos mais importados pelo Brasil no mesmo ano. Garcia observa que os investimentos em refino não acompanharam o crescimento da oferta de petróleo, resultando em um descompasso no mercado interno.
Exposição à Instabilidade Global
O Brasil é vulnerável a um cenário de guerra, especialmente em relação aos derivados de petróleo. Adriano Pires, diretor do CBIE, ressalta que o país é um exportador de petróleo, mas um importador de derivados, o que gera uma dependência preocupante.
A falta de investimentos em refino nos últimos anos agrava a situação.
Embora a maior parte dos combustíveis importados não transite pelo Estreito de Ormuz, a dependência de países como a Índia, que importa petróleo da região, pode impactar o Brasil caso o conflito se prolongue. Eberaldo de Almeida Neto, ex-diretor da Petrobras, alerta que a situação pode se complicar se a guerra afetar a cadeia de suprimentos.
Fertilizantes e Outras Vulnerabilidades
Além do petróleo, a guerra também expõe o Brasil a vulnerabilidades no setor de fertilizantes. Em 2025, o país importou uma quantidade significativa de fertilizantes do Irã, representando uma alta expressiva em relação ao ano anterior. O Brasil depende de importações para atender 80% de sua demanda por fertilizantes.
Claudio Schlosser, diretor da Petrobras, afirmou que a companhia projeta produzir 40% da demanda nacional de uréia até 2030. No entanto, a dependência de gás natural importado a preços elevados é um desafio para a produção de fertilizantes.
Propostas para Melhorar a Situação
Especialistas sugerem várias medidas para aprimorar as condições de refino e produção de fertilizantes no Brasil. Eberaldo de Almeida Neto defende a necessidade de subsídios para tornar a produção de fertilizantes mais competitiva, enquanto Adriano Pires enfatiza a importância de políticas que reduzam o custo do gás.
Para o setor de refino, é crucial que o governo sinalize a não intervenção em preços, o que poderia atrair investimentos. A privatização de refinarias e a realização de leilões também são vistas como alternativas para aumentar a capacidade de refino e modernizar a infraestrutura existente.
Roberto Ardenghy destaca que o Brasil pode se destacar na produção de biocombustíveis, integrando a modernização do parque de refino com a transição energética. Além disso, a exploração de novas fronteiras, como a Margem Equatorial, é fundamental para garantir a segurança energética do país.
