Preocupações com a Economia Brasileira em Meio ao Conflito no Oriente Médio
A sócia-diretora da Gibraltar Consulting, Zeina Latif, destacou que o governo federal está se preparando para possíveis impactos da guerra no Oriente Médio na economia do Brasil. Em uma entrevista à CNN Brasil, durante o WW, a economista analisou a proposta de subvenção na importação de diesel, proposta pelo Ministério da Fazenda, e relacionou essa medida ao atual cenário geopolítico.
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Latif afirmou que, dependendo da gravidade do conflito, há motivos para preocupação, pois isso poderia resultar em uma “tempestade perfeita” com efeitos diretos na economia brasileira e, por consequência, na aprovação do governo. “A notícia ruim machuca muito mais a aprovação do governo do que a notícia boa beneficia. É bem assimétrico”, explicou a economista.
A especialista fez uma comparação com o período pós-pandemia, quando a guerra entre Rússia e Ucrânia teve um impacto significativo. “Não tenho dúvidas de que aquela inflação pressionada foi um fator que prejudicou bastante a competitividade do presidente Jair Bolsonaro”, afirmou, ressaltando a influência dos preços dos alimentos na percepção do eleitorado.
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Latif observou que, embora o contexto atual seja diferente, com a inflação mundial mais controlada do que no período pós-pandêmico, a taxa líquida de aprovação do governo já se encontra negativa, com mais pessoas desaprovando do que aprovando.
Isso justifica a preocupação antecipada com possíveis choques econômicos.
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Impacto nas Finanças Estaduais
A economista também abordou a situação fiscal dos estados brasileiros, que podem ser afetados pela atual conjuntura. “A arrecadação de ICMS continua crescendo em termos reais, mas já apresenta uma desaceleração devido à atividade econômica”, explicou Latif.
Segundo a especialista, no ano passado, a arrecadação cresceu cerca de 1,7% em termos reais, um pouco abaixo do crescimento do PIB. Essa desaceleração torna desafiador para alguns estados abrirem mão de receitas ou transferirem recursos para a subvenção proposta pelo governo federal, enfatizando que “o quadro das finanças dos estados também não está fácil”.
