A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã atingiu o primeiro mês de conflito, e os efeitos diretos na economia global já começam a ser sentidos, principalmente no setor energético. O economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Daniel da Conceição, ressalta que a análise do cenário não deve ser excessivamente alarmista.
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Segundo ele, o principal risco a ser observado é um “choque de custos“, impulsionado, em parte, pelo aumento nos preços dos combustíveis.
Conceição destaca que, além do impacto nos preços, existe a possibilidade de instabilidade social. “Eu diria que o único risco hoje que eu enxergaria, para além do choque de custos, pelo canal do preço dos combustíveis, é o sucesso dessas pessoas em criarem o desajuste mental numa parcela grande da população.
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Pessoas desesperadas, destrambelhadas que possam reagir como se o apocalipse tivesse perto de acontecer. Aí você pode mobilizar setores, vamos supor, do transporte de carga no Brasil”, explica.
O economista enfatiza que a economia brasileira possui uma certa autossuficiência em produtos essenciais, o que representa uma vantagem. “A economia brasileira é autossuficiente em itens essenciais e isso é uma vantagem. Os preços de coisas que a gente exporta por conta da escassez imposta pela guerra, combustíveis e outros produtos que também podem ser impactados pelo esforço de guerra, pelo pela destruição da guerra, pelos impactos logísticos que a guerra tem no sistema de distribuição global, isso acaba beneficiando as receitas de exportação do Brasil”, afirma.
No entanto, Conceição alerta que os benefícios não serão distribuídos de forma uniforme. “É importante notar que esses efeitos não são necessariamente efeitos distribuídos de maneira homogênea para a sociedade brasileira”, ressalta. Ele acredita que, idealmente, o cenário poderia gerar benefícios para a população, mas reconhece que a probabilidade disso acontecer é baixa. “Os donos das empresas exportadoras vão ficar felizes da vida com o aumento desses preços, mas para que isso se transforme em benefício pro resto da população.
Se for necessário um aumento na produção, porque a gente vai ocupar mercados e espaços de outros exportadores que vão deixar de exportar, aí sim você teria uma expansão desse emprego e o efeito multiplicador a partir daí”, conclui.
Autor(a):
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.
