Grupo Marista impulsiona economia de 300% com inteligência artificial nos hospitais

Grupo Marista alcança crescimento expressivo de 300% na economia hospitalar impulsionado pela inteligência artificial.

Imagem institucional da fachada do prédio do Grupo Marista para ilustrar a matéria sobre o uso de inteligência artificial na saúde e na educação.

O Grupo Marista está utilizando inteligência artificial em suas três frentes de atuação — saúde, educação e editora FTD —, com resultados que superam drasticamente as expectativas iniciais no setor hospitalar. Em entrevista concedida à EXAME durante o IT Forum Praia do Forte na edição de 2026, Silvio Mendonça, diretor de Tecnologia e Transformação Digital da instituição, detalhou como a tecnologia transformou processos críticos internos; um projeto desenhado para melhorar entre 20% e 30% os casos de glosas (recusas ou cancelamentos parciais feitos pelas operadoras), acabou gerando uma economia impressionante: um ganho recorde de até 300%.

Segundo o executivo do Grupo Marista, esse sucesso é apenas um exemplo das possibilidades que ele vê na área médica.. O caso específico envolveu a utilização coordenada por múltiplos agentes de IA conversacionais no ambiente hospitalar para auxiliar tanto médicos quanto toda a equipe administrativa (“back office”). Essa aplicação visa otimizar e tornar mais fluido todo fluxo entre pedidos realizados pelos hospitais, as internações dos pacientes e os processos junto às operadoras.

O Grupo Marista utiliza inteligência artificial para otimizar processos

A melhoria nesse ciclo de receita não só impacta diretamente nos valores recebidos pelas instituições com planos de saúde como também libera tempo valioso da força de trabalho profissional em medicina.

Mendonça apontou ainda o desafio crescente do relacionamento médico paciente: hoje é comum que pessoas cheguem ao consultório já após terem interagido sobre exames ou diagnósticos preliminares por meio de chatbots baseados no Chat. GPT ou outras IAs disponíveis na internet.

Para viabilizar essas transformações estruturais — especialmente nas áreas mais sensíveis como a vida humana —, foi necessário um processo gradual iniciado há cerca de três anos dentro da organização marista. O Grupo Marista criou internamente seu Centro de Excelência em IA com o objetivo principal de consolidar todas as iniciativas tecnológicas do grupo para que os colaboradores consigam endereçar problemas complexos usando inteligência artificial sem bloqueios departamentais.

A estratégia não se limitou à tecnologia; houve uma forte ênfase na capacidade interna: já foram capacitadas, até hoje, pessoas superando duas mil profissionais no uso e letramento sobre temas relacionados à Inteligência Artificial. Além disso, ele detalhou a abordagem educacional focada nos produtos didáticos (FTD), onde há um cuidado especial por potencializar mais professor escola individualmente — visando atender dificuldades específicas como déficit de atenção ou neurodivergências —, em vez de aplicar IA diretamente ao aprendizado neste momento que ainda está regulatório.

Na área da FTD, a editora utiliza ferramentas para corrigir redações e questões acadêmicas; também conta com o sistema Flui, usado na verificação da fluidez leitora infantil – observando não só “como” lêem os textos, mas sua interpretação.

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O material chega a cerca de 16 milhões de alunos.

Um desafio constante apontado por Mendonça é gerenciar as iniciativas do tipo “bring your own AI”, onde cada setor tenta trazer uma ferramenta externa sem passar pela governança centralizada em tecnologia (CIO).. Para mitigar riscos como vazamento ou treinamento indevido desses modelos públicos com dados sensíveis das operadoras e pacientes, O Grupo Marista mantém um controle rigoroso: o pessoal deve utilizar apenas ferramentas homologadas pelo grupo, citando exemplos específicos que incluem Gemini Enterprise ou Copilot da Microsoft.

Essa política garante a segurança necessária para proteger osdados corporativos.

Para medir se esse investimento tecnológico realmente compensa financeiramente — além dos ganhos de qualidade de vida —, é utilizado metodologias chamados Fin Ops no cálculo do ROA (Retorno da Automação). O objetivo final não é seguir modismos tecnológicos (“hype”), mas sim colocar IA em funcionamento real com foco na entrega efetiva e mensurável de valor ao negócio.