Grupo Fictor pede recuperação judicial com dívida de 4 bilhões. Especialistas alertam para impactos no mercado financeiro e riscos para investidores.
O Grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial, apresentando uma dívida aproximada de 4 bilhões de reais. Especialistas afirmam que, embora a situação não represente um risco sistêmico para o mercado financeiro brasileiro, as consequências afetarão diversas instituições que investiram na empresa.
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Gilvan Bueno, colunista do CNN Money, destaca que um dos principais fatores da crise está relacionado ao modelo de captação de recursos adotado pelo grupo. Ele explica que o Fictor utilizava a Sociedade de Conta e Participação (SCP), que envolve um sócio ostensivo e um sócio oculto.
Embora essa estrutura seja legítima, deveria ser utilizada para captações entre pessoas próximas, no modelo “family and friends”.
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A crise se intensificou quando o grupo começou a utilizar mais de 12 SCPs para captar recursos de investidores de varejo não qualificados, ou seja, aqueles com menos de um milhão de reais para investir. Bueno esclarece que, embora a captação por meio de SCPs seja viável, atuar com investidores não qualificados leva a um cenário problemático.
Um aspecto importante mencionado pelo especialista é que, ao contrário de outros investimentos, os recursos aplicados via SCPs não têm a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Além disso, se o pedido de recuperação for aceito, os credores poderão ter seus recursos bloqueados por pelo menos 180 dias.
Os fundos de FIDC (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) que investiram no grupo podem enfrentar um “haircut” significativo, ou seja, um desconto substancial no valor da dívida, semelhante ao que ocorreu com as Americanas.
A estimativa é que o impacto total possa variar entre 100 e 200 bilhões de reais.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.