Em 1º de abril de 2026, celebramos os 62 anos do golpe militar de 1964, um marco que assombra a história de Minas Gerais e do Brasil. A marcha que partiu de Juiz de Fora (MG) instaurou um período de repressão, violência e violações dos direitos humanos, que se estendeu por 21 anos.
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A memória desses eventos e a busca por justiça para as vítimas são pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
A Comissão Mineira da Verdade (CMV), criada em 2015, desempenhou um papel crucial na investigação e no resgate da memória desse período. Através de extensa pesquisa e relatos de testemunhas, a CMV revelou a magnitude da repressão, o sofrimento das vítimas e a responsabilidade de agentes do Estado.
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A história da resistência à ditadura militar em Minas Gerais é marcada por atos de coragem e sacrifício. Vários estudantes, intelectuais e militantes políticos foram perseguidos, torturados e assassinados pelo regime militar.
A trágica história de Gildo Macedo Lemos e José Carlos da Mata Machado ilustra a brutalidade da repressão. Ambos, líderes estudantis na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foram presos durante o Congresso de Ibiúna em 1968 e, após meses de tortura, ambos perderam a vida.
Gildo, após ser torturado no DOI-CODI/Recife, foi encontrado morto em Recife, enquanto José Carlos foi morto no Teatro de Caxangá, em Olinda. A luta por justiça e memória continua até hoje, com a família de Gildo e José Carlos buscando respostas e reparação por seus crimes.
Walkiria Afonso Costa, uma estudante de pedagogia que se juntou à Guerrilha do Araguaia, é um exemplo de resistência e luta pela justiça social. Após ser assassinada em 1974, seu corpo foi encontrado em uma cova rasa, e sua história foi silenciada por décadas.
A comunidade acadêmica da UFMG homenageia sua memória através do Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação (FaE), e sua história continua a inspirar a luta por direitos humanos.
Idalísio Soares Aranha Filho, também conhecido como Aparício, foi um estudante de psicologia que se juntou à guerrilha do Araguaia. Sua morte, em 1973, é um símbolo da violência e da impunidade que marcaram o período da ditadura militar. A Comissão da Verdade reconheceu sua morte como um crime hediondo, e sua família continua a lutar por justiça e memória.
A Comissão Mineira da Verdade, com seu relatório abrangente e detalhado, contribuiu significativamente para o resgate da memória da ditadura militar em Minas Gerais. A CMV não apenas documentou os crimes cometidos, mas também promoveu o debate público sobre a necessidade de justiça e reparação para as vítimas.
A busca pela verdade, a reparação das vítimas e a responsabilização dos culpados são passos essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e democrática. A memória da ditadura militar deve ser preservada e transmitida às futuras gerações, para que os erros do passado não se repitam.
Autor(a):
Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.
