Greve histórica da Long Island Rail Road paralisa transporte e afeta milhares em Nova York

Greve histórica da Long Island Rail Road paralisa transporte em Nova York, afetando centenas de milhares de passageiros. Descubra os detalhes dessa crise!

Greve dos trabalhadores da Long Island Rail Road afeta transporte na região de Nova York

Os funcionários do transporte público da Long Island Rail Road, a maior ferrovia suburbana dos Estados Unidos, entraram em greve, o que poderá deixar centenas de milhares de passageiros sem transporte durante a semana na área da cidade de Nova York.

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Esta greve, que envolve cinco sindicatos representando 3.500 trabalhadores, é a primeira na ferrovia desde 1994 e resultou na paralisação total do tráfego ferroviário.

Os sindicatos não conseguiram chegar a um acordo com a administração da ferrovia sobre salários e condições de trabalho na última sexta-feira (15). Kevin Sexton, vice-presidente da Irmandade dos Engenheiros e Maquinistas de Locomotivas e porta-voz dos sindicatos, afirmou: “Após dois dias de negociações ininterruptas, as partes não conseguiram chegar a um acordo”.

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Os sindicatos buscam o primeiro aumento salarial para seus membros desde 2022, em um contexto de aumento significativo do custo de vida em um dos mercados mais caros do país.

Impactos da greve para os passageiros

Para os passageiros afetados, a paralisação traz um desafio adicional: a necessidade de dirigir para o trabalho em um momento em que os preços da gasolina estão altos e novos pedágios foram implementados para todos os veículos que entram no distrito comercial de Manhattan.

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Embora a greve tenha começado à 0h01 (horário do leste dos EUA) deste sábado, seu impacto será mais sentido na segunda-feira (18), quando cerca de 300 mil passageiros se deslocam diariamente para a cidade.

A MTA (Autoridade Metropolitana de Transportes), responsável pelo sistema ferroviário, informou na tarde de sexta-feira que o serviço limitado de ônibus disponível poderá atender apenas cerca de 13 mil passageiros pela manhã e outros 13 mil à noite.

O órgão recomenda que as pessoas trabalhem de casa, evitem viagens não essenciais e reservem tempo extra, independentemente do meio de transporte utilizado.

Negociações e reações à greve

As negociações de última hora na sexta-feira não tiveram sucesso, e uma nova rodada de discussões ainda não foi agendada, conforme informaram representantes do sindicato. Kevin Sexton expressou sua preocupação: “Lamentamos profundamente estarmos nessa situação.

Esses passageiros são nossos amigos, nossos vizinhos, eles vivem em nossas comunidades. Entendemos o serviço que a Long Island Rail Road presta a esta região”.

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, classificou a greve como “irresponsável” e argumentou que as demandas do sindicato podem encarecer as tarifas para os passageiros. “Os passageiros estão lidando com disfunções desnecessárias e milhares de trabalhadores sindicalizados da LIRR estão sendo forçados a ficar sem salário por causa das decisões tomadas por um pequeno grupo de líderes sindicais”, afirmou Hochul, pedindo que sindicatos e MTA retornem à mesa de negociações até que um acordo seja alcançado.

Desafios legais e possíveis intervenções

Janno Lieber, chefe da MTA, destacou que sua agência não pode concordar com as reivindicações salariais dos sindicatos. “Não podemos, de forma responsável, fechar um acordo que comprometa o orçamento da MTA”, disse Lieber. Ele acrescentou que a MTA se recusa a aceitar um acordo que transfira para os passageiros e contribuintes o ônus de financiar aumentos salariais excessivos, que estão muito além do que qualquer outro funcionário da MTA recebe.

As ferrovias operam sob uma legislação trabalhista diferente da maioria das empresas do país, o que dificulta a realização de greves. No entanto, as barreiras legais que limitam as greves já foram superadas pelos sindicatos. Restam poucas alternativas para que os trabalhadores retornem ao trabalho, exceto um acordo trabalhista que seja aceitável para a base.

O Congresso dos EUA pode intervir para negociar um acordo, como fez em dezembro de 2022, mas a maior ferrovia de passageiros do país não representa o mesmo risco econômico que as ferrovias de carga.