Greve Estudantil na USP: Mobilizações se intensificam após mais de um mês de paralisação
A greve estudantil na USP ultrapassa um mês, com novas mobilizações agendadas. Estudantes e docentes lutam por melhorias e reajustes. O que vem a seguir?
Greve Estudantil na USP Completa Mais de um Mês
A greve estudantil na Universidade de São Paulo (USP) já se estende por mais de um mês. Na tarde de segunda-feira (25), a Adusp (Associação dos Docentes da USP) decidiu iniciar uma nova fase de mobilizações. Uma assembleia foi agendada para a próxima segunda-feira (1º).
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Os docentes reivindicam um reajuste de mais de 3% com base no IPCA, conforme proposta do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas), além de um aumento no valor do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), reorganização do semestre acadêmico e a não punição dos estudantes que participam das manifestações.
Os docentes também exigem a apuração das responsabilidades relacionadas aos eventos ocorridos no início do mês, que foram supervisionados por Aluísio Segurado. Durante essas ações, as forças de segurança utilizaram bombas e gás lacrimogêneo para dispersar os estudantes.
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O DCE (Diretório Central dos Estudantes), que lidera a paralisação, afirma que a reitoria tem se mostrado inflexível em relação a algumas das demandas.
Contexto da Greve Estudantil
No início de abril, os estudantes da USP uniram forças com os servidores técnicos e administrativos da universidade, reivindicando melhorias nas gratificações que são concedidas apenas ao corpo docente. Essa paralisação foi encerrada no final do mês após um acordo entre a reitoria e o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP).
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Atualmente, os estudantes estão lutando contra cortes no programa de bolsas, a escassez de vagas em moradias estudantis, a falta de água e melhorias no restaurante universitário. A proposta da USP para o reajuste é baseada no índice IPC-FIPE, que aumentaria o auxílio integral para R$ 912 mensais e o auxílio parcial para estudantes com moradia para R$ 340.
No entanto, os estudantes consideram essa proposta insuficiente, defendendo um reajuste para R$ 1.804, que corresponde ao salário mínimo paulista.
Reações e Demandas dos Estudantes
Dany Oliveira, uma das representantes do DCE, comentou à CNN Brasil que, atualmente, a maioria dos prédios não está com aulas, mas as diretorias, sob orientação da reitoria, continuam a pressionar os estudantes, ameaçando calouros com jubilamento caso não retornem às aulas.
A USP, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não possui uma nota de posicionamento no momento, mas que manterá contato em caso de mudanças.
Os beneficiários do PAPFE recebem atualmente R$ 335 para moradia estudantil e R$ 885 para auxílio integral. A proposta é aumentar esses valores para R$ 340 e R$ 1.804, respectivamente. Além disso, os manifestantes pedem melhorias nos serviços, como a gestão do restaurante universitário, que enfrentou problemas com a presença de bichos e larvas na comida, e a situação do HU (Hospital Universitário), que, segundo os manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.
Negociações em Andamento
A USP prorrogou os prazos dos atuais contratos, que agora vigorarão até 28 de fevereiro de 2027. O valor da bolsa PUB é de R$ 745 mensais, enquanto o PAPFE varia de R$ 335 (parcial com moradia) a R$ 885 (integral). O DCE aguarda um retorno da reitoria da USP após uma mesa de mediação realizada na segunda-feira (26) sobre o PAPFE e o estudo de orçamento.
Dany Oliveira destacou que, nas últimas duas negociações, a universidade não apresentou propostas de mudança.
O DCE reafirmou seu compromisso em lutar pelo direito de estudar e por condições dignas de permanência, visando construir uma universidade de excelência. Em nota, o DCE expressou que os estudantes estão determinados a conquistar mais avanços diante de uma reitoria que, até o momento, tem sido cínica em relação às reivindicações.
Os estudantes estão prontos para persistir em sua luta.