Medidas do governo para o diesel geram alerta no setor produtivo! Indústrias e construção civil criticam a ineficácia e riscos financeiros. Saiba mais!
A recente série de medidas do governo federal para mitigar a alta dos preços do diesel, incluindo a redução de impostos, enfrenta críticas de entidades da indústria e da construção civil. A avaliação é de que essas iniciativas possuem eficácia limitada e podem gerar riscos financeiros para os estados brasileiros.
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A pressão dos caminhoneiros e a alta dos preços do petróleo no mercado internacional foram os fatores que motivaram a adoção dessas medidas, mas o setor produtivo questiona se elas realmente atacam as causas profundas do problema.
Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), as medidas discutidas no Confaz e formalizadas por decretos e medidas provisórias não garantem o repasse total do valor ao consumidor final.
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Além disso, a entidade aponta que essas ações pressionam as contas públicas dos estados, que já enfrentam dificuldades financeiras. A Fiemg destaca que a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o diesel tem baixa efetividade, pois o tributo é cobrado ao longo de toda a cadeia de distribuição.
A entidade ressalta que, diferentemente de impostos federais como PIS e Cofins, a diminuição do ICMS estadual tende a ser absorvida pelos agentes do mercado. O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, afirma que não há evidências de que cortes tributários nesse setor se traduzam em redução de preços, devido à concentração de mercado e à baixa elasticidade da demanda.
A entidade também alerta para o impacto fiscal, argumentando que a redução do ICMS pode comprometer a sustentabilidade das contas estaduais sem garantir uma contrapartida na redução dos preços.
A CNI critica a medida provisória que estabelece sanções mais rigorosas para o descumprimento da tabela de frete, argumentando que ela reforça o tabelamento e prejudica a competitividade das empresas. O presidente da CNI, Ricardo Alban, declara que a medida vai na contramão da inserção do Brasil nas cadeias globais e amplia a insegurança regulatória.
A confederação defende soluções estruturais e não o aumento de punições.
O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, explica que o diesel representa entre 30% e 40% do custo do transporte rodoviário, sendo responsável por cerca de 80% da demanda do combustível no país. Muniz afirma que o aumento do preço do diesel eleva o frete, encarece os insumos e pressiona os preços ao consumidor.
Ele ressalta que novas regras punitivas podem agravar a situação ao criar incerteza para as empresas. A indústria também defende uma revisão técnica da metodologia do piso do frete antes da aplicação de sanções.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.