Nesta terça-feira, Dia do Jornalista, o governo federal formalizou um protocolo nacional destinado a investigar crimes cometidos contra jornalistas e comunicadores. O evento ocorreu no Palácio do Planalto, onde ministros estiveram presentes para deliberar sobre a portaria.
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Em coletiva de imprensa, membros do governo enfatizaram que atacar jornalistas e comunicadores não se trata de um crime isolado, mas sim de um ataque direto à democracia brasileira.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, ressaltou que o protocolo era uma medida que o estado brasileiro precisava implementar há muito tempo. Ele classificou a violência contra a imprensa como uma agressão direta ao cerne da democracia.
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Segundo o ministro, quando um jornalista é alvo por suas investigações ou um comunicador é silenciado por denunciar fatos, o prejuízo vai além da pessoa física. Ele afirmou que a democracia recua e o espaço público diminui, privando a sociedade do direito de saber.
O ministro apresentou dados alarmantes, citando o Conselho Nacional do Ministério Público. Segundo ele, foram registrados 64 homicídios de jornalistas e comunicadores entre 1985 e 2018, todos ligados ao exercício profissional.
Além disso, um relatório da Fenaj indicou uma escalada preocupante da violência no período de 2019 a 2022, com cerca de 1400 casos documentados nesse intervalo.
Durante o discurso, foram mencionados casos notórios, como os de Dom Phillips e Bruno Pereira. Os jornalistas foram assassinados em 5 de junho de 2022, perto da terra indígena Vale do Javari, em Atalaia do Norte, no Amazonas.
Dom Phillips, que trabalhava em um livro sobre meio ambiente com apoio da Fundação Alicia Patterson, era correspondente do The Guardian e reportava sobre o Brasil há mais de 15 anos para veículos como o New York Times e o Financial Times.
A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, explicou que o protocolo visa estabelecer diretrizes para a prevenção e investigação de infrações contra jornalistas e comunicadores.
A iniciativa busca proteger tanto a vítima quanto seus familiares, garantindo uma investigação adequada e a preservação de provas de violência. Será oferecida uma escuta com abordagem humanizada, respeitando o sigilo da fonte.
A secretária enfatizou que o protocolo funciona como um instrumento de orientação jurídica. Seu objetivo é assegurar que a resposta do estado seja precisa, coordenada e, acima de tudo, eficiente no combate a esses atos de violência.
Proteger o jornalista, portanto, significa proteger a própria condição de possibilidade de uma esfera pública fundamentada em fatos, como pontuou o ministro.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.
