Governo Federal Aumenta Imposto em Veículos Elétricos em Julho
Governo Federal eleva imposto em veículos elétricos para 35% em julho, impactando produção local e acessibilidade de modelos híbridos
A indústria automotiva brasileira enfrenta um cenário de incertezas regulatórias, especialmente após a ameaça de retorno da alíquota cheia de imposto de importação para veículos elétricos. Segundo informações do setor, o imposto para carros elétricos está programado para voltar aos 35% em julho, caso o Governo Federal não altere a regra.
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Essa mudança tributária afeta diretamente os modelos híbridos, cujos impostos subiriam de 28% para 35%, o que, segundo a GWM, acabará por tornar os veículos montados no país mais acessíveis para o consumidor final.
Estratégia de Produção Local da GWM em Iracemápolis
A GWM (Great Wall Motor) opera em Iracemápolis, São Paulo, desde o final de 2025, e sua estratégia de nacionalização visa mitigar o impacto dos custos de importação. Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da GWM, explicou que a redução no custo dos Haval H6 produzidos no Brasil será suficiente para compensar o aumento de preço das unidades que chegam de fora, de China.
Por essa razão, a empresa não prevê uma queda de preço para o consumidor final, mesmo com a elevação tributária.
O utilitário Haval H6, fabricado em Iracemápolis com o uso de peças nacionalizadas e componentes importados via regime de ex-tarifário, obtém uma vantagem tributária significativa. Contudo, a capacidade produtiva da fábrica local ainda não é suficiente para suprir toda a demanda do mercado brasileiro.
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Em abril, por exemplo, as unidades nacionais foram responsáveis por 65% das 2.688 unidades emplacadas no mês.
Além do SUV híbrido, a planta de Iracemápolis também monta a picape Poer, que não exige complementação de importação, e o SUV Haval H9, que ainda conta com algumas previsões de importação devido à alta procura nas concessionárias. Bastos ressaltou que, para atender integralmente a demanda pelo H6, a fábrica precisará receber investimentos robustos para expandir suas instalações e aumentar sua capacidade de produção.
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A decisão de nacionalizar a linha 2027 do Haval H6 permitiu que a fabricante conseguisse estabilizar a tabela de preços, que só registrou um aumento de R$ 1 mil em algumas versões. A empresa afirmou ter planejado suas operações considerando o imposto de 35%, podendo precisar ajustar suas margens de lucro ou repassar custos para outros modelos importados.
Disputa por Incentivos de Importação no Setor Automotivo
Paralelamente à situação tributária da GWM, o mercado acompanha de perto as negociações de concorrentes como a BYD. A BYD busca negociar com o Governo Federal a extensão das cotas de importação para kits desmontados (CKD e SKD), destinados à montagem em Camaçari, na Bahia.
A empresa argumenta que a prorrogação dos incentivos é crucial para manter o ritmo de investimentos.
Há um ano, o GECEX (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) havia decidido estender por seis meses as cotas isentas de imposto para esses kits. Agora, a BYD pleiteia uma nova prorrogação de mais seis meses. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, justificou o pedido em cerimônia, afirmando que a cota anterior foi concedida para que as empresas pudessem desenvolver e cumprir os compromissos de investimento.
No entanto, a Anfavea, associação que representa os fabricantes de automóveis, e outras entidades do setor têm manifestado resistência à renovação dos incentivos. Eles apontam a necessidade de maior segurança regulatória e questionam a continuidade das isenções fiscais.
A disputa reflete a tensão entre a necessidade de estímulo ao mercado e a sustentabilidade fiscal do país.