Google investe US$ 75 milhões na A24 para incorporar inteligência artificial em produções
Google investe na A24 para impulsionar a inovação cinematográfica, mas a parceria levanta preocupações sobre o impacto da inteligência artificial na indústria
O estúdio independente de cinema A24 receberá um investimento de US$ 75 milhões por parte do Google, com o intuito de incorporar inteligência artificial em suas produções. Em valores aproximados, o montante equivale a R$ 390 milhões e permitirá aos cineastas acesso à plataforma de IA DeepMind. É importante destacar que o acordo não confere ao Google acesso ao catálogo ou aos dados da A24.
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A A24 e seu papel no cinema contemporâneo
Nos últimos anos, a A24 consolidou sua posição na indústria cinematográfica de Hollywood, produzindo filmes aclamados como “Moonlight”, “Lady Bird”, “Her”, “The Lighthouse” e “Everything Everywhere All at Once”. Essas obras têm se destacado nas principais premiações, incluindo Oscar, Globo de Ouro e Emmy, evidenciando a relevância do estúdio no cenário atual.
De acordo com informações veiculadas pelo jornal The Wall Street Journal, o principal objetivo dessa parceria é otimizar os fluxos de trabalho durante as produções, possibilitando uma maior eficiência e inovação por meio da utilização da inteligência artificial.
O mais recente lançamento da A24 é o filme de terror “Talk to Me”, atualmente em exibição nos cinemas, que já arrecadou cerca de R$ 600 milhões em sua primeira semana nas telonas.
Preocupações sobre o uso da inteligência artificial
O acordo entre a A24 e o Google surge em um contexto de crescente preocupação entre cineastas e artistas sobre os avanços desregulados da inteligência artificial no setor. Celebridades do cinema, como Steven Spielberg e Guillermo del Toro, expressaram suas reservas quanto ao uso dessa tecnologia nas produções cinematográficas.
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Na última semana, Del Toro afirmou que acredita que a IA representa uma ameaça ao futuro do cinema, alertando que “estamos à beira do analfabetismo visual” e “analfabetismo cinematográfico”.
Spielberg, que recentemente lançou o filme “The Fabelmans”, também manifestou sua oposição ao uso da IA em processos criativos. Ele declarou: “Não gosto da IA quando ela ocupa uma cadeira vazia na mesa de um escritor. Não estou disposto a substituir a alma; não acredito que exista um algoritmo capaz disso.” As preocupações com a inteligência artificial têm levado muitos artistas a defenderem uma regulamentação mais rigorosa sobre seu uso.
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Ação coletiva por direitos autorais
No ano anterior, um grupo significativo de artistas se mobilizou pedindo uma proteção mais robusta aos direitos autorais em relação ao uso de obras criativas para treinar sistemas tecnológicos. Nomes como Paul McCartney, Cynthia Erivo e Mark Ruffalo assinaram uma carta enviada ao Gabinete de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca.
Nela, os signatários ressaltaram que “o acesso irrestrito aos dados não apenas ameaça filmes, livros e músicas, mas também compromete o trabalho de escritores, editores, fotógrafos e cientistas que geram propriedade intelectual”.
Diante desse cenário complexo e controverso envolvendo a tecnologia e as artes criativas, o futuro do cinema pode ser impactado por essas novas dinâmicas entre inovação tecnológica e preservação dos direitos autorais.