O dia 1º de abril de 1964, marco do golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil, continua a assombrar a memória nacional. O evento, que se estendeu até 1985, representa um dos períodos mais sombrios da história do país. O historiador e jornalista Moacir Assunção alerta para a persistência do pensamento autoritário por trás do golpe, ressaltando que “as feridas não estão cicatrizadas e essa história continua nos assombrando.
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Ela está viva, não é uma página virada”.
Assunção atribui parte do problema à ausência de punição aos militares envolvidos na ditadura e aos crimes cometidos durante o regime. Essa falta de responsabilização, segundo ele, contribuiu para a normalização da ideia de ruptura democrática.
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O historiador cita a recente tentativa de golpe como um exemplo preocupante, argumentando que a ausência de punição poderia ter incentivado a repetição de eventos semelhantes. A situação, segundo ele, poderia ter levado a um cenário de farsa, influenciado por figuras que apoiavam e admiravam a ditadura.
Além da falta de punição, Assunção identifica outros fatores que contribuíram para a persistência de ideias autoritárias. Ele menciona a crença de alguns militares de que eles eram o grupo escolhido para guiar o país, e o excesso de poder exercido por algumas instâncias da sociedade, como o parlamento.
O historiador compara essa situação a ter um “ditador dentro da gente”, que pode se manifestar em momentos inesperados.
Assunção avalia que as eleições deste ano serão cruciais para o futuro da democracia no Brasil. Ele questiona a escolha entre um governo que respeita a Constituição e as liberdades democráticas, ou uma “aventura” representada pelo senador Flávio Bolsonaro, aliado ao governador Ronaldo Caiado, que defende a ruptura democrática.
O historiador cita as declarações de Flávio Bolsonaro sobre a anistia aos golpistas como um sinal de preocupação.
Moacir Assunção destaca a importância da produção cinematográfica recente, como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, para conscientizar a população sobre os eventos da ditadura. Ele enfatiza que, com essa consciência, a população deve se manifestar contra os arroubos golpistas.
O historiador cita o processo de impeachment de Fernando Collor como um exemplo de como o “povo na rua é uma excelente vacina contra o autoritarismo”.
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Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.
