Em 1º de abril, o Brasil recorda o golpe civil-militar de 1964, um evento que marcou profundamente a história do país. Décadas após o trauma, a busca por memória e justiça se manifesta em iniciativas que visam evitar a repetição de regimes autoritários.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Um exemplo notável é o Memorial da Resistência de São Paulo, inaugurado em 2009, impulsionado pelo Fórum Permanente de ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo.
Localizado no antigo prédio do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops), que funcionou entre 1940 e 1983, o Memorial da Resistência se tornou um espaço de recuperação da memória e defesa dos direitos humanos. A diretora da instituição, Ana Pato, destaca que o Memorial se insere no conceito de justiça de transição, um conjunto de medidas para lidar com as violações cometidas durante a ditadura militar (1964-1985).
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
O local oferece conversas e rodas de conversa com ex-presos e ex-presas, permitindo que as novas gerações compreendam a história e reflitam sobre os eventos.
As ações estruturadas no Memorial da Resistência abrangem a apuração de fatos por meio da Comissão Nacional da Verdade (CNV), o pagamento de indenizações às vítimas e a implementação de reformas em órgãos públicos. O objetivo principal é a preservação da memória histórica e a prevenção de condutas estatais autoritárias.
A iniciativa é considerada um símbolo importante, com 17 anos de existência, e um local fundamental para a reflexão sobre o passado.
A estrutura preservada do antigo complexo carcerário inclui quatro celas, um corredor principal e um pátio para banho de sol. O espaço passou por restauração e abriga uma exposição permanente com painéis e materiais audiovisuais que registram o cotidiano da prisão e o período pós-ditadura.
A exposição atual, “Uma Vertigem Visionária – Brasil: Nunca Mais”, com curadoria de Diego Matos, recorda os 40 anos do lançamento do livro homônimo em 1985, fruto da maior pesquisa sobre a tortura no país.
O jornalista Ivan Seixas, preso e torturado no extinto Doi-Codi aos 16 anos, descreve a gravidade do que ocorreu no local, comparando-o ao campo de concentração de Auschwitz. Seixas relata que foi capturado e torturado junto com seu pai, Joaquim Alencar de Seixas, que foi morto nas dependências do destacamento.
Após seis anos de prisão, ele se juntou à organização revolucionária Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), que realizava ações de sabotagem e desestabilização do regime. A história de Seixas e seu pai serve como um alerta para que os erros do passado não se repitam.
Em abril de 2025, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania finalizou o levantamento “Lugar de Memória da Ditadura Militar”, identificando 49 locais relacionados ao período entre 1964 e 1985. O estudo aponta 17 pontos em São Paulo, 12 no Rio de Janeiro e outros oito estados e o Distrito Federal.
A iniciativa visa preservar a memória sobre o período e pretende expandir o número de locais catalogados em etapas subsequentes do projeto. O governo do estado de São Paulo ainda enfrenta dificuldades para transformar o complexo do antigo Doi-Codi em um memorial, apesar do tombamento do prédio em 2014.
A situação do complexo do Doi-Codi ilustra a importância de espaços de memória para a preservação da história e a prevenção de abusos de poder. A luta por memoriais em outros estados do Brasil demonstra o compromisso com a justiça e a verdade.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.
