Giulia Ferreira destaca busca por acolhimento na BH LGBTQIA+

Para pessoas da comunidade LGBTI+, em Belo Horizonte (MG), segurança, conforto e o sentimento de pertencimento são pilares fundamentais no processo de busca pela sociabilidade.
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“Não se trata de segregação; é uma questão de acolhimento“, explica Giulia Ferreira, fisioterapeuta trans com 31 anos moradora do bairro São Paulo.
Segundo ela, frequentar espaços héteros ou mistos expõe os indivíduos a ataques constantes: “não podemos aproveitar nosso momento de lazer por causa das falas desconfortáveis ao sermos vistos nesses locais”.
A Busca pelo Acolhimento na Capital Mineira
Em função da celebração do Dia do Orgulho LGBTI+, que ocorre em 28 de junho, o Brasil de Fato MG conversou com membros dessa comunidade. O objetivo foi entender se Belo Horizonte é realmente uma cidade acolhedora para as diferenças e um local propício aos encontros sociais.
O servidor público Fábio Pedrosa ilustra essa busca; ele costuma ir a bares ou restaurantes principalmente pela culinária mineira — mas também por experimentar sabores internacionais. Para esse homem gay de 46 anos, estar entre “os seus” funciona como mais uma estratégia vital de proteção pessoal no dia a dia.
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“As identidades LGBTQIAPN+ ainda sofrem muita discriminação em ambientes públicos”, conta o próprio Fabiano.
Ele relembra que cresceu nas décadas de 1980 e 1990: “senti na pele que ser gay não era bem visto”.
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Por isso, considera importante existir locais identificados justamente para serem considerados ‘locais gays’, onde se sinta acolhido junto à própria comunidade.
Luta por Direitos Plenos
Em meio às celebrações do Dia do Orgulho LGBTI+, a mensagem é clara sobre os direitos necessários no país.
Eller Zant reforça essa luta ao afirmar:
“Seguimos lutando pelo direito de trabalho, espaço físico, moradia digna, uma saúde pública inclusiva e o simples direito de viver sem medo”. Para ela, “nossa batalha exige que haja não apenas tolerância, mas um respeito integral pelas nossas identidades em todos os espaços”, complementou. A ativista também abordou temas como educação acolhedora para toda diversidade ou até mesmo garantir um envelhecimento com mais dignidade.
Desafios Internos da Comunidade
Giulia Ferreira direciona a atenção do público ao preconceito existente dentro da própria comunidade LGBTI+, especialmente no caso das mulheres trans.
Ela aponta que
“A transfobia e o exclusão de corpos trans nem sempre vêm só pelo meio heteronormativo”. Segundo ela, há uma tendência interna em tentar “ser melhor”, fazendo com que alguns excluam sua mesma coletividade se esta não couber na “caixinha aceitável” imposta por certos grupos. Esse cenário dificulta enormemente toda luta pelos direitos civis e pela construção de um lugar mais seguro para todos os membros.
Por fim, Giulia Ferreira defende a necessidade urgente dessa mudança: é preciso melhorar essa dinâmica para garantir que
“a sigla seja resistência, persistência, união e força”, finaliza.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



