Gigantes do Setor Anunciam Reestruturação e Aumento de Recuperações Extrajudiciais em 2026

Gigantes do setor iniciam reestruturação e buscam recuperação extrajudicial para dívidas bilionárias. O que isso significa para o mercado? Descubra!

6 min de leitura

(Imagem de reprodução da internet).

Reestruturação de Gigantes do Setor

Na última semana, o noticiário corporativo destacou duas grandes empresas de seus setores iniciando processos significativos de reestruturação. Ambas anunciaram, o primeiro na terça-feira (10) e o segundo na quarta (11), planos de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas bilionárias com seus credores.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Esse tipo de processo é menos abrangente do que a recuperação judicial tradicional. Nos últimos 20 anos, foram registrados 288 casos de recuperação extrajudicial, conforme levantamento do OBRE (Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial).

Em 2025, um recorde de 78 processos desse tipo foi anunciado, e até agora, em 2026, já são sete.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O processo anunciado pela primeira empresa, segundo o observatório, reflete uma tendência crescente. Juliana Biolchi, diretora do OBRE, comenta: “Temos uma questão muito fundamental aqui, que são os problemas econômicos que estamos enfrentando.

Embora os casos de recuperação extrajudicial estejam aumentando, não vejo isso como algo necessariamente negativo. É preferível que aumentem os casos de recuperação extrajudicial do que os de recuperação judicial, pois esta última é uma ferramenta mais invasiva, indicada para crises mais severas.”

LEIA TAMBÉM!

Cenário de Recuperações Judiciais

Por outro lado, o Brasil também está enfrentando um recorde nas recuperações judiciais. Ao final de 2025, o país contava com 5.680 empresas em processos desse tipo, segundo relatório da RGF & Associados, uma consultoria especializada. Esse cenário crítico é amplamente atribuído ao aumento das taxas de juros nos últimos anos.

Desde junho, a taxa Selic alcançou o maior patamar em quase 20 anos, impactando diretamente a capacidade de pagamento das empresas.

Rodrigo Gallegos, sócio da RGF, explica que “não é um fato isolado; muitas empresas se alavancaram quando os juros estavam entre 2% e 4%. Hoje, com a Selic a 15% ao ano, a matemática não fecha.” Ele acrescenta que, além da Selic, os bancos precisam incluir o prêmio de risco, elevando o custo real da dívida para até 30% ao ano em situações críticas.

Esse aumento torna difícil para as empresas manterem margens que suportem tais custos de capital.

Desafios Estruturais e Setoriais

Além da questão da alavancagem, Júlio Moretti, CEO da NEOT, aponta que fatores estruturais também têm afetado as empresas. O varejo enfrenta mudanças no comportamento do consumidor, o agronegócio lida com questões climáticas e a indústria enfrenta altos custos de insumos.

Em 2025, o setor agropecuário enfrentou desafios significativos, conforme levantamento da Serasa Experian.

Osana Mendonça, sócia da KPMG, destaca que o agronegócio é particularmente vulnerável a fatores externos. “O escoamento da produção é afetado pelo custo do frete, que pode ser impactado por eventos como a guerra do Golfo. Além disso, as chuvas afetaram a produtividade das lavouras, e a alta taxa de juros desde o ano passado diminuiu a margem operacional dos produtores, levando muitos a uma situação financeira difícil.”

Impacto do Cenário Econômico

Agostini ressalta que a combinação de fatores setoriais e uma reforma na Lei de Falências criou um ambiente propício para o surgimento de serviços destinados a ajudar produtores rurais na renegociação de dívidas. No entanto, isso pode gerar incentivos perversos em alguns casos.

Gallegos observa que o crédito barato do passado escondeu ineficiências operacionais, e a falta de profissionalização na gestão pode transformar crises de liquidez em insolvências.

O chamado “Custo Brasil”, que inclui a burocracia e um ambiente tributário complexo, também é um fator que afeta as empresas. Além disso, as tensões geopolíticas e o aumento das tarifas de commodities têm impacto direto no desempenho dos negócios.

Postura das Empresas e Acesso ao Crédito

Apesar do cenário desafiador, muitas empresas continuaram a se alavancar, mesmo com o crédito caro. Gallegos aponta que essa postura reflete um erro estratégico de negação e má gestão do tempo. “As diretorias demoram a reconhecer a gravidade da situação e tentam resolver problemas de eficiência tomando mais crédito, o que apenas acelera o colapso.” Ele enfatiza a importância de enfrentar os problemas de forma proativa e realizar mudanças estruturais antes que a situação se torne insustentável.

O aumento de processos de recuperação pode levar a uma “contaminação do risco” no setor, segundo Moretti. “Quando muitas empresas de um setor entram em recuperação, os bancos aumentam as taxas para todos, prejudicando até aqueles que estão saudáveis.

Isso encarece o crédito e impede investimentos, criando um ambiente de instabilidade que preocupa a economia.”

Recomendações para o Sistema Financeiro

A Fitch recomenda que os bancos realizem um monitoramento próximo para antecipar ciclos negativos, além de promover reestruturações de dívidas proativas. Também é importante que haja campanhas de conscientização para os clientes. Especialistas defendem que é essencial mudar a percepção de que a recuperação judicial é um “botão de pânico”.

Rodrigo Gallegos destaca que “o que realmente muda o jogo é a reorganização profunda da operação e do modelo de negócio, não apenas a renegociação da dívida.” A Fitch observa que algumas empresas se prepararam adequadamente e agora possuem balanços mais robustos para enfrentar a incerteza, resultando em elevações de rating para 15 empresas em 2025 e 2 em 2026.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

Sair da versão mobile