Geraldo Gomes, um guardião de sementes, preserva a cultura no norte de Minas! Descubra a tradição familiar e a agroecologia da Caatinga.
Em uma sala simples, iluminada pela luz do sol que entra pela janela, encontramos Geraldo Gomes, um homem de 62 anos, com um chapéu na cabeça, óculos no rosto e uma sanfona ao seu lado. Ele canta uma das suas músicas, uma melodia que ecoa a vida no meio do mato, junto da mãe natureza.
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A cena se passa na comunidade de Touro, Serranópolis de Minas, no norte de Minas Gerais, e nos transporta para um universo de saberes e tradições.
A casa de Geraldo é um museu vivo, repleta de detalhes que contam a história da sua família e da sua relação com a terra. Fotos de família, diplomas e certificados de cursos decoram as paredes, testemunhos de uma vida dedicada ao aprendizado e à preservação.
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Uma mesa ocupa o centro da sala, coberta por potes cheios de sementes e licores, feitos com plantas da sua roça: abóbora, banana, milho, juá de boi, moringa… “Deve ter uns 30 espécies que a gente faz aqui”, conta Geraldo, com um sorriso.
Geraldo é um guardião de sementes, um dos últimos a preservar a diversidade genética do bioma da Caatinga. Ele começou a ir para a roça aos sete anos de idade, aprendendo com o pai e o avô, que diziam: “Roça tem que ser igual mato, tem que ter diversas plantas”.
A roça de Geraldo é um exemplo de agroecologia, onde ele planta algodão, amendoim, feijão, melancia e batata doce, utilizando um sistema agroflorestal (SAF).
A tradição de guardar e trocar sementes é uma herança da família, transmitida por gerações. “Guardava pra não ficar dependendo. Às vezes, na hora que ia comprar, não achava, e, muitas vezes, quando achava, não tinha dinheiro”, relata. Ele comercializa suas sementes em feiras livres e sob encomenda, mas o que realmente o motiva é a preservação da diversidade genética.
Além das sementes, Geraldo também faz licores e outros produtos, como azeite de mamona e azeite de gergelim. Ele também é cantor e compositor, seguindo a tradição familiar, que remonta a um grupo musical que animava as festas da região nos anos 50.
“Se você não tiver muita paciência e amor pelas sementes, acaba desistindo. Há poucos incentivos e poucas pessoas que se interessam por esse trabalho”, lamenta Geraldo. A dificuldade de encontrar apoio e a ameaça do desmatamento e das mudanças climáticas o motivam a continuar, com a esperança de que a agricultura familiar e a preservação das sementes possam ser valorizadas e protegidas.
A casa de sementes de Geraldo é um ponto turístico da região, que recebe visitantes de vários estados e países. Ele sonha em transformar a casa em um museu, para que as pessoas possam conhecer e aprender sobre a importância da agricultura familiar e da preservação da biodiversidade.
“Quem vem, sempre leva os licores. E reforçamos a importância de preservarmos a agricultura familiar”, diz Geraldo, com um olhar de esperança. A vida de Geraldo Gomes é um exemplo de resistência e de compromisso com a cultura e com o futuro da Caatinga.
Autor(a):
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.