Geopolítica leva Brasil, Vietnã e Colômbia a reverem comércio de café no Vitória Coffee Summit 2026

O Vitória Coffee Summit 2026 busca fortalecer laços comerciais entre Brasil, Vietnã e Colômbia em meio a desafios globais que afetam o mercado cafeeiro.

Porto de Vitória, por onde sai o produto mais exportado do Espírito Santo, o café

A capital do Espírito Santo sedia, a partir desta quinta – feira (20), o Vitória Coffee Summit 2026, que reúne representantes dos principais países produtores e consumidores de café. O evento acontece em um momento crítico para o comércio internacional da commodity, pressionado por tensões geopolíticas, barreiras comerciais, oscilações cambiais e eventos climáticos.

O Brasil, o Vietnã e a Colômbia se destacam como potências na produção mundial de café. Enquanto isso, os Estados Unidos ocupam a posição de maior mercado consumidor individual do planeta e um dos destinos mais importantes para o produto brasileiro.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que, para a safra 2026/27, o Brasil deve manter a liderança global com uma produção projetada de 69,2 milhões de sacas de 60 quilos, seguido pelo Vietnã com 32,5 milhões e pela Colômbia com 13,4 milhões.

Interdependência no mercado mundial

Na outra extremidade da cadeia produtiva estão os mercados dependentes das importações. Os Estados Unidos devem consumir cerca de 27 milhões de sacas na safra 2026/27. Historicamente, o Brasil responde por aproximadamente um terço do café verde importado pelos norte – americanos; a Colômbia, o Vietnã e Honduras vêm na sequência.

Essa interdependência torna o setor cafeeiro vulnerável a mudanças nas políticas comerciais.

Tarifas e disputas entre grandes economias podem alterar destinos de exportação e afetar preços e estratégias comerciais. Além disso, a situação é agravada pelos estoques globais que estão em níveis historicamente baixos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que os estoques mundiais no início da temporada 2025/26 estavam no menor patamar em 25 anos, totalizando cerca de 21,8 milhões de sacas.

Ainda que haja perspectivas de crescimento na produção mundial, a disponibilidade reduzida deixa o mercado suscetível a quaisquer problemas climáticos ou comerciais. Secas e temperaturas elevadas têm impactado regiões produtoras significativas nos últimos ciclos.

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No Brasil, por exemplo, períodos de restrição hídrica afetaram a produção do arábica em 2025.

Espírito Santo se destaca na produção

O estado do Espírito Santo se torna um ponto central nas discussões durante o encontro. Como maior produtor brasileiro de café conilon e segundo maior produtor nacional no geral — atrás apenas de Minas Gerais — sua importância aumentou consideravelmente.

Durante 2025, a recuperação da produção capixaba foi vital para a expansão do conilon brasileiro.

No terceiro levantamento daquele ano, quando 96% da área nacional já havia sido colhida, a Conab indicava que o Espírito Santo era responsável por aproximadamente 69% do conilon produzido no Brasil. Para este ano de 2026, as estimativas apontam uma produção capixaba ao redor de 19 milhões de sacas, um crescimento esperado de 9% em relação ao ano anterior.

Deste total, cerca de 14,9 milhões devem ser da variedade conilon — representando aproximadamente 67% da produção brasileira desse tipo. Além disso, a localização estratégica do estado facilita o escoamento da produção devido à proximidade das áreas agrícolas com o porto de Vitória.

Proposta do Vitória Coffee Summit

No contexto atual do mercado cafeeiro globalizado, o Vitória Coffee Summit busca conectar diferentes elos da cadeia produtiva. O evento contará com uma programação diversificada que inclui palestras e debates sobre temas relevantes como inteligência de mercado, tendências de consumo e sustentabilidade.

Organizado pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), o encontro terá dois dias dedicados à troca de experiências voltadas à cadeia cafeeira. As atividades ocorrerão no Cais das Artes, localizado na Enseada do Suá, em Vitória.