
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comentou nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, que os agentes financeiros estão reagindo à escassez de informações sobre os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio. Segundo ele, esse cenário global dificulta a precificação de cenários futuros para a economia.
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A autoridade monetária, segundo Galípolo, está em um processo de aprofundamento do conhecimento sobre o problema para realizar movimentos mais cautelosos e seguros. Ele enfatizou que a postura do Banco Central é de serenidade, buscando tempo para entender melhor a situação.
Galípolo ressaltou que a prudência do Banco Central implica em dedicar tempo para compreender a fundo o cenário, garantindo assim passos mais seguros na condução da política monetária. Essa abordagem baseia-se no conhecimento detalhado dos desafios atuais.
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As declarações foram feitas durante o 12º Seminário Anual de Política Monetária, promovido pelo Centro de Estudos Monetários da FGV/IBRE, no Rio de Janeiro. O foco da discussão envolveu o futuro da taxa Selic e o IPCA.
Houve um aumento nas projeções de inflação para 2026 feitas pelos agentes do mercado financeiro. A meta permanece em 3%, com uma tolerância estendida até 4,50%. O Banco Central havia apontado em março que a probabilidade de a taxa exceder o intervalo de tolerância era de 30%.
Galípolo mencionou que, desde março, o Banco Central passou a considerar o efeito da guerra no Oriente Médio sobre a economia. A ata do Copom indicou que o ciclo de cortes de juros deve ser menos intenso do que o inicialmente previsto, devido ao aumento dos preços.
O presidente do BC detalhou dois cenários possíveis decorrentes da instabilidade: um choque de oferta mais breve, com retorno à normalidade em menor prazo; ou um choque mais intenso, que afetaria a capacidade produtiva, atrasando a recuperação global.
A tensão entre Irã, Israel e Estados Unidos impactou diretamente o fornecimento global de petróleo, especialmente no Estreito de Ormuz. O preço do barril tipo brent subiu significativamente, passando de perto de US$ 70 antes dos conflitos para US$ 110,40 no dia 6 de abril de 2026.
Galípolo reforçou que as decisões mais conservadoras tomadas pelo Copom em 2025 foram cruciais, pois deram ao Banco Central tempo para analisar os próximos passos e enfrentar os problemas. Ele apontou que o mundo vivenciou quatro choques de oferta nos últimos seis anos, citando os períodos de 2020/2021, 2022, 2025 e 2026.
O trabalho do Banco Central, segundo ele, é justamente evitar que esses choques de oferta se propaguem em “efeitos de segunda ordem”, particularmente prevenindo uma espiral inflacionária entre salários e preços.
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Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.