Gabriel Ganley, atleta e influenciador, morre aos 22 anos em São Paulo; causa ainda é mistério
Gabriel Ganley, atleta e influenciador, faleceu aos 22 anos em São Paulo. Entenda os riscos do fisiculturismo e as práticas que podem ser perigosas.
Gabriel Ganley, atleta e influenciador, morre aos 22 anos
O atleta e influenciador Gabriel Ganley faleceu neste sábado (23), aos 22 anos. A notícia foi divulgada pela Integral Médica, uma empresa de suplementação esportiva. De acordo com informações da CNN Brasil, ele foi encontrado sem vida em seu apartamento na cidade de São Paulo.
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O fisiculturismo é uma modalidade esportiva que envolve a prática de esculpir o corpo, focando no aumento da massa muscular e na redução da gordura. Para atender aos critérios de avaliação, como volume, definição e proporções, os atletas seguem uma rotina rigorosa de treinos intensos e dietas restritivas.
Contudo, algumas práticas não saudáveis podem acarretar riscos à saúde.
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Um estudo apontou que fisiculturistas profissionais têm um risco cinco vezes maior de morte súbita em comparação a atletas amadores. A pesquisa analisou mais de 20 mil atletas que participaram de competições da Federação Internacional de Fisiculturismo & Fitness (IFBB) entre 2005 e 2020, com um acompanhamento médio de mais de oito anos.
Os pesquisadores destacam que o fisiculturismo pode impor estresse físico e psicológico, devido a treinos intensos, dietas rigorosas, técnicas de desidratação e uso de anabolizantes.
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Preparação rigorosa e riscos associados
O treinamento de um fisiculturista é dividido em diferentes etapas, com foco em grupos musculares específicos e ciclos que variam entre ganho de força e definição. A dieta deve ser equilibrada e rigorosamente seguida, com quantidades personalizadas de proteínas, carboidratos e gorduras.
Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que a alimentação desempenha um papel estratégico no treinamento.
A fase de ganho de massa, conhecida como bulking, requer um superávit calórico para maximizar a síntese de proteínas e garantir a recuperação muscular. Após essa fase, os atletas entram na etapa de definição, chamada de cutting, que envolve a redução da gordura corporal, muitas vezes com restrições severas de nutrientes.
Isso pode resultar em deficiências nutricionais, desidratação e desregulação hormonal, exigindo suporte de nutricionistas e médicos especializados.
Riscos à saúde no fisiculturismo
Os riscos à saúde no fisiculturismo estão principalmente relacionados às restrições calóricas e ao uso de anabolizantes, prática proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Embora existam indicações específicas para o uso de esteroides, a normalização do seu uso no fisiculturismo não o torna legítimo.
Amanda Gonzales, médica da Unidade de Cardiologia do Exercício do Hospital Sírio-Libanês, ressalta que já é bem estabelecida a relação entre o uso de substâncias anabólicas e o aumento do risco cardiovascular.
Os esteroides anabolizantes podem alterar o funcionamento de diversos sistemas do corpo, elevando o colesterol LDL e reduzindo o HDL, o que favorece o espessamento do músculo cardíaco. Essas alterações aumentam o risco de infarto, AVC e morte súbita, mesmo em jovens aparentemente saudáveis, conforme explica Carlos Rassi, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês de Brasília.
Além disso, dietas restritivas que cortam abruptamente carboidratos e gorduras, combinadas com exercícios intensos e longos períodos de jejum, podem prejudicar o funcionamento do organismo, resultando em hipoglicemia, perda de massa magra e alterações hormonais.
O corte de água e sal, prática comum entre fisiculturistas antes das competições, pode levar a distúrbios hidroeletrolíticos e aumentar o risco de arritmias e problemas renais.
O treinamento intenso, se não acompanhado de descanso adequado e supervisão profissional, pode resultar em síndrome de deficiência energética relativa ou estado de overtraining. Em casos extremos, pode ocorrer a síndrome de hipogonadismo, caracterizada pela diminuição dos hormônios sexuais.
Por isso, especialistas enfatizam a importância de um acompanhamento médico adequado para garantir a segurança na prática do fisiculturismo.