Furtado Explora Sexualização Digital em Nova Comédia

Furtado explora as dinâmicas da sexualização digital na sua nova comédia, inspirada em algoritmos e tendências online.

27/08/2026 18:44

3 min

Sempre no set. Ao longo de 42 anos de carreira, o cineasta gaúcho fez filmes de variados gêneros e trabalhou para a tevê. Muito Prazer estreou na quinta-feira 27 – Imagem: Fábio Rebelo
Sempre no set. Ao longo de 42 anos de carreira, o cineasta gaúch...

Jorge Furtado marca seu retorno ao gênero cômico com o longa – metragem “Muito Prazer”, que está em cartaz desde a quinta – feira, dia 27 deste ano. O filme é um mergulho no ritmo e nas piadas características da filmografia do diretor — Daniel Oliveira estrelou junto à Luisa Arraes e Catharina Conte —, ambientando os personagens dentro dos limites narrativos de um motel.

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O cineasta paulista não apenas volta às telas após anos sem dirigir uma comédia cinematográfica solo; ele também aproveitou as últimas semanas para viajar pelo país acompanhando pré – estreias na divulgação do projeto. Em São Paulo, durante o evento Espaço Petrobras, Furtado conversou sobre sua trajetória em momentos que misturam a arte narrativa ao impacto algorítmico das plataformas digitais.

A jornada por trás da tela: De Porto Alegre aos grandes palcos

Desde seu primeiro curta registrado, “O Temporal”, lançado ainda em 1984, quatro décadas se passaram desde os primórdios de Jorge Furtado no audiovisual brasileiro. Sua paixão pela sétima arte começou após um encontro inesperado com cinema; foi assistindo à obra “Super-8 Deu Pra Ti Anos 70” (Giba Assis Brasil e Nelson Nadotti) enquanto estudava medicina que ele percebeu o potencial cinematográfico na própria cidade gaúcha.

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Essa inspiração levou a diretor não só ao campo do filme profissionalmente mas também fundou amigos para criar a Casa de Cinema de Porto Alegre. Ao longo da carreira, sua experiência é vasta: além dos mais de quarenta roteiros adaptados literariamente por conta dele mesmo, Furtado dedicou trinta e cinco anos consecutivos trabalhando pela TV Globo em diferentes formatos televisivos.

A influência algorítmica nos novos filmes

Em conversa com Carta Capital no dia 02 de setembro de 2026, ele revelou que o ponto inicial narrativo de “Muito Prazer” veio diretamente das plataformas digitais. O diretor citou os mecanismos do tipo “Se você gostou desse filme, vai gostar deste outro”, observando como a sexualidade humana é um tema complexo para ser abordado na ficção contemporânea.

Ele detalhou ainda sua pesquisa sobre espaços eróticos e arquitetônicos em Curitiba: notavelmente encontrou uma suíte chamada Lava Jato dentro de um motel localizado lá mesmo. Essa descoberta gerou reflexões profundas não só estéticas mas também sociais no processo criativo da obra.

Os personagens centrais seguem o roteiro após herdar este estabelecimento dos tios; contudo, eles logo descobrem que herdaram muito mais do que apenas os imóveis — acumularam dívidas consideráveis.

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Comédia como gênero duradouro

Jorge Furtado enfatizou a importância das comédias para resistir ao tempo e aos preconceitos em festivais cinematográficos brasileiros. Segundo ele, apesar de parecer um “gênero menor”, há uma tradição forte na história nacional, citando exemplos clássicos desde Oscarito até chanchadas.

O diretor explicou seu objetivo: criar filmes cômicos mas também “duradouros”, aqueles que conseguem transcender o simples ato de fazer rir no momento da exibição do cinema. Ele ressaltou ainda sua predileção por obras classificadas pelas chamadas ‘comédias tristes’, gênero onde sempre haverá espaço.

Apesar dos desafios criativos e das mudanças constantes nos gêneros — comparáveis à versatilidade observada em diretores como Billy Wilder ou Stanley Kubrick —, Furtado mantém a crença na força coletiva, afirmando ser um trabalho feito pela equipe; ele agradeceu especialmente ao Giba Assis Brasil pelo apoio contínuo para montar seus filmes.

Ele concluiu que é preciso ter coragem de experimentar o erro: “O importante é ir mudando de erro”, disse. O cineasta reafirmou seu compromisso com este tipo narrativo vibrante no cinema brasileiro até os dias atuais.

Autor(a):

Apaixonada por cinema, música e literatura, Júlia Mendes é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de São Paulo. Com uma década de experiência, ela já entrevistou artistas de renome e cobriu grandes festivais internacionais. Quando não está escrevendo, Júlia é vista em mostras de cinema ou explorando novas bandas independentes.

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