Funpad-DF: Investimento Surpreendente em Comunidades Terapêuticas Revela Críticas

Funpad-DF investe R$ 2,460 milhões em CTs! Críticas apontam modelo questionável. Saiba mais sobre o repasse de recursos e o histórico do Fundo Antidrogas do

13/05/2026 14:43

3 min

Funpad-DF: Investimento Surpreendente em Comunidades Terapêuticas Revela Críticas
(Imagem de reprodução da internet).

Fundo Antidrogas do Distrito Federal: Recursos Concentrados em Comunidades Terapêuticas

O Fundo Antidrogas do Distrito Federal (Funpad-DF) destinou, em 2025, integralmente seus recursos ao financiamento de comunidades terapêuticas (CTs). Um levantamento realizado revelou que mais de R$ 2,460 milhões foram utilizados exclusivamente para custear essas instituições privadas, sem direcionamento para outros dispositivos da rede pública de saúde.

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Os dados, disponíveis no Portal da Transparência, mostram uma tendência de mais de uma década nesse direcionamento de recursos.

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Histórico de Repasses e Valor Total Investido

Entre 2012 e 2025, o Funpad repassou aproximadamente R$ 33,369 milhões para as CTs, consolidando-se como um fundo voltado para essas comunidades. O coordenador do grupo de pesquisa, Pedro Henrique Antunes da Costa, professor da Universidade de Brasília (UnB), critica o modelo, apontando que as CTs funcionam como uma combinação de “manicômios, prisões, igrejas e senzalas”, frequentemente atendendo à população negra e pobre com condições degradantes.

O repasse de 2025 incluiu também pouco mais de R$ 47 mil para a Secretaria da Fazenda, possivelmente para despesas internas, confirmando o investimento exclusivo nas CTs.

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Entidades Beneficiadas e Vagas Financiadas

Em 2025, o Funpad destinou recursos a diversas CTs, incluindo o Centro de Reintegração Deus Proverá, o Desafio Jovem de Brasília, a Despertai-Comunidade Terapêutica, o Instituto Abba Pai e o Instituto de Reabilitação da Unidade das Políticas Públicas e Estatísticas (IRUPPE), também conhecido como Novo Tempo.

Uma rubrica específica de quase R$ 110 mil foi destinada à instituição Transforme – Ações Sociais e Humanitárias. Os dados de 2023 revelaram um repasse de R$ 3 milhões para 11 comunidades terapêuticas, com uma média de R$ 283 mil por instituição.

Cada CT recebia também R$ 1 mil por vaga, o que significa que o Conselho de Políticas sobre Drogas (Conen-DF), via Funpad, financiou uma média aproximada de 23 vagas por mês e 283 por ano.

Críticas e Alternativas Propostas

Especialistas e órgãos de fiscalização alertam que esse investimento representa uma escolha política do Governo do Distrito Federal. O modelo de atuação das CTs é frequentemente criticado por basear o cuidado no isolamento e na imposição de doutrinação religiosa.

A perita do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), Carolina Barreto Lemos, destaca o risco de desassistência à população com demandas de saúde associadas ao uso de drogas. A especialista ressalta a importância de investir na Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e em políticas de redução de danos, moradia, trabalho e renda, além de fomentar a educação e cultura, em vez de concentrar recursos em instituições privadas.

Controle Social e Fiscalização

A gestão do Funpad-DF é responsabilidade do Conselho de Políticas sobre Drogas (Conen-DF), órgão vinculado à Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF). O conselho é alvo de críticas por sua composição não ser paritária e pela forte influência das CTs em suas decisões.

Pesquisadores apontam que o conselho opera em favor dos interesses das entidades privadas que se apoderam do fundo público. A criação da Frente Parlamentar em Defesa das Comunidades Terapêuticas na Câmara Legislativa do DF (CLDF) reforçou o apoio político a esse modelo.

Relatos de fiscalizações em CTs revelam práticas que violam direitos humanos, como a contenção química e o trabalho forçado, além de abusos religiosos. A falta de planos individuais de atendimento e a concentração de recursos em entidades privadas evidenciam a necessidade de reforçar a rede pública e investir em políticas de autonomia social.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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