Fuel Eyewear aposta em produção artesanal e fatura R 90 milhões em 2025

Fuel Eyewear se destaca no mercado ao priorizar produção artesanal e experiências autênticas, visando um faturamento de R 120 milhões em 2026.

Homem usando um óculos de sol ao ar livre

Em um cenário onde termos como “automação” e “inteligência artificial” dominam as conversas, algumas empresas estão adotando uma abordagem diferente: focar em experiências de consumo autênticas e produtos que trazem um toque humano. Essa tendência se traduz em um aumento na valorização da produção local, histórias por trás dos produtos e fabricação doméstica, características que atraem consumidores em busca de autenticidade, qualidade e sustentabilidade.

Uma pesquisa da consultoria McKinsey & Company indica que 71% dos consumidores desejam interações personalizadas com as marcas das quais compram. Este dado reforça a ideia de que o mercado tende a se direcionar para itens que oferecem personalização e cuidado individualizado.

A Fuel Eyewear como exemplo de inovação

No Brasil, a Fuel Eyewear exemplifica essa mudança ao adotar um modelo de negócio que prioriza o toque humano. Com mais de 65 lojas em operação, a marca se destaca pela combinação entre moda e design acessível. Miguel Zabotinsky, sócio – fundador e diretor de produtos da Fuel, explica: “Queríamos fazer uma marca de óculos que unisse moda e design, mas de forma acessível”.

Ele também é responsável pelo design das peças, atuando como lunetier.

Diferente das grandes indústrias que utilizam máquinas automatizadas em larga escala, a Fuel opta por equipamentos que permitem cortes feitos manualmente. Essa abordagem assegura a precisão e a intervenção humana durante todo o processo produtivo, do conceito ao polimento final. “Há um ser humano por trás de cada máquina”, ressalta Zabotinsky.

O foco no artesanato não apenas atrai consumidores, mas também gera um impacto positivo nas vendas. A produção mensal atualmente gira em torno de mil peças, mas a demanda já supera essa capacidade. Flávio Barros, CEO da empresa, destaca os benefícios dessa estratégia: “A narrativa fala por si só.

Isso gera um encantamento que se converte em vendas naturalmente”. Em 2025, a marca faturou R 90 milhões e tem como meta alcançar R 120 milhões em 2026.

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Desafios e estratégias para o futuro

Com o objetivo de aumentar a produção sem comprometer a essência artesanal da marca, a Fuel investiu R 800 mil na modernização do maquinário e na revitalização da fábrica localizada no Rio de Janeiro. Esse local é responsável pela linha “Born in Rio”, um dos pilares da estratégia nacionalizada da marca.

Barros observa que transformar características culturais brasileiras em uma proposta comercial capaz de atrair diversos públicos requer inovação constante. “Superar depende de estar em constante movimentação, criando coisas novas”, afirma. Para isso, a empresa planeja lançar cerca de dois novos modelos todos os meses e estabelecer parcerias com clubes de futebol cariocas como Flamengo e Botafogo — além do desejo de licenciar com Palmeiras e Corinthians.

Os sócios acreditam firmemente na manutenção do DNA artesanal da empresa diante da crescente demanda por produtos com identidade nacional. Barros enfatiza que esse atributo é sustentado pelos canais próprios de distribuição da marca e pelo sucesso dos quiosques em aeroportos e pontos turísticos: “Falar de uma moda carioca feita no Rio tem um apelo sem igual”.

Zabotinsky complementa: “São as marcas independentes que estão ditando os novos rumos e tendências de consumo”.