Frigoríficos do Cerrado em alerta: estudo revela controle socioambiental alarmante

Estudo do Radar Verde revela que frigoríficos no Cerrado falham em controle socioambiental, com 96% das empresas em nível insatisfatório. Descubra os detalhes!

21/05/2026 20:06

3 min

Frigoríficos do Cerrado em alerta: estudo revela controle socioambiental alarmante
(Imagem de reprodução da internet).

Frigoríficos no Cerrado apresentam baixo controle socioambiental

Um estudo inédito da organização Radar Verde revela que os frigoríficos que operam no Cerrado ainda possuem um controle socioambiental insatisfatório em relação à sua cadeia de fornecedores de gado. De acordo com a pesquisa, 96% das 225 empresas analisadas foram classificadas com “grau muito baixo” no compromisso contra o desmatamento, levando em conta tanto os fornecedores diretos quanto os indiretos.

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A investigação avaliou 262 plantas frigoríficas localizadas no bioma e identificou fragilidades, especialmente no monitoramento da origem do gado.

Nenhuma das empresas atingiu níveis intermediários, altos ou muito altos de desempenho socioambiental conforme a metodologia do Radar Verde. No ranking elaborado pela entidade, a Marfrig se destaca como a companhia com o melhor controle socioambiental, seguida por Masterboi, Minerva e JBS.

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Monitoramento deficiente entre fornecedores

Conforme o relatório, apenas sete empresas, cerca de 3% do total avaliado, demonstraram algum nível de monitoramento sobre os fornecedores diretos. No que diz respeito aos fornecedores indiretos, que incluem fazendas de cria e recria, nenhuma empresa apresentou evidências suficientes de controle efetivo.

O Radar Verde enfatiza que essa ausência de monitoramento representa um dos principais desafios da cadeia pecuária no Cerrado.

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Isso ocorre porque um frigorífico pode adquirir animais de uma fazenda regularizada que, anteriormente, recebeu gado proveniente de áreas desmatadas ou com outras irregularidades ambientais. A avaliação também aponta para a baixa transparência das empresas do setor, uma vez que nenhuma delas respondeu ao questionário enviado para detalhar suas práticas de monitoramento.

Desafios de monitoramento no Cerrado

O estudo foi realizado com base em informações públicas, incluindo políticas corporativas, auditorias independentes e documentos oficiais. O relatório destaca que os mecanismos de monitoramento no Brasil foram historicamente estruturados para atender às exigências relacionadas ao desmatamento na Amazônia, especialmente após a criação dos TACs da Carne, acordos entre frigoríficos e o Ministério Público Federal.

No Cerrado, no entanto, não há um instrumento equivalente com força de fiscalização e penalidade.

O Protocolo de Monitoramento Voluntário de Fornecedores de Gado no Cerrado, lançado em 2024, é citado como um avanço, mas ainda carece do mesmo poder de indução de comportamento observado na Amazônia. A pesquisa revela que a maioria das fazendas com pastagens no Cerrado está fora da área de abrangência histórica dos sistemas de monitoramento utilizados pelos frigoríficos.

Características do desmatamento no Cerrado

O relatório também destaca que o desmatamento no Cerrado apresenta características distintas em comparação com a Amazônia. Enquanto na Amazônia a supressão de vegetação está frequentemente ligada a ocupações em terras públicas e conflitos fundiários, no Cerrado, o avanço ocorre majoritariamente em propriedades privadas.

Além disso, uma parte significativa da conversão da vegetação nativa acontece dentro da legalidade prevista pelo Código Florestal.

No Cerrado, a legislação exige a preservação de 20% a 35% da vegetação nas propriedades rurais, percentual inferior ao exigido em áreas da Amazônia, onde a reserva legal pode chegar a 80%. Segundo o Radar Verde, essa situação torna insuficiente a análise baseada apenas em desmatamento ilegal para avaliar os compromissos socioambientais das empresas da cadeia da carne.

Impactos da perda de vegetação no Cerrado

O Cerrado representa 23,3% do território brasileiro e já perdeu aproximadamente 93 milhões de hectares de vegetação nativa, o que equivale a quase metade de sua cobertura original. O mapeamento indica que 51% dessa área foi convertida em pastagens.

Em 2024, o bioma liderou pelo segundo ano consecutivo o desmatamento no país, com 652,2 mil hectares derrubados, correspondendo a 52,5% de toda a área desmatada no Brasil durante o período.

Autor(a):

Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

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