Fóssil de 120 milhões de anos revela nova espécie de microraptor na China
Fóssil de 120 milhões de anos revela nova espécie de microraptor, o Jian changmaensis, e transforma a compreensão sobre dinossauros predadores. Descubra mais!
Fóssil de 120 milhões de anos revela novas informações sobre microraptores
Um fóssil com 120 milhões de anos, encontrado na região que hoje corresponde ao noroeste da China, está transformando a compreensão dos cientistas sobre um grupo peculiar de dinossauros predadores conhecidos como microraptores. O local da descoberta amplia a área geográfica conhecida do menor parente planador do velociraptor, que possui garras em forma de foice.
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Além disso, os ossos representam o espécime mais recente de microraptor no registro fóssil, estendendo a linha do tempo de existência desses dinossauros emplumados.
Uma nova análise dos ossos intactos do ombro e do membro anterior, mencionados pela primeira vez em um resumo de estudo de 2010, confirmou que o fóssil pertence a uma nova espécie. A equipe de pesquisa nomeou o dinossauro de Jian changmaensis, conforme publicado nesta quinta-feira (4) no periódico Annals of Carnegie Museum.
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O nome “Jian” faz referência a um pássaro de uma asa só da mitologia chinesa, aludindo às características aviárias do dinossauro. A espécie também homenageia a Bacia de Changma, na província de Gansu, onde o fóssil foi encontrado — sendo até agora o único espécime de microraptor descoberto fora do nordeste da China.
Descobertas sobre o habitat e a alimentação do Jian changmaensis
O coautor do estudo, Dr. Matt Lamanna, pesquisador sênior de dinossauros e curador de paleontologia de vertebrados no Museu Carnegie de História Natural em Pittsburgh, comentou: “O fóssil Jian changmaensis revela que dinossauros não-aviários habitaram a Bacia de Changma, uma área famosa por seus fósseis de aves.” Ele acrescentou que sua equipe já recuperou mais de 100 fósseis de aves na região, mas apenas este único espécime de dinossauro não-aviano.
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Jian traz novas informações sobre a história biológica da Bacia de Changma e o contexto ecológico dos ancestrais das aves atuais.
O fóssil bem preservado pode ajudar os pesquisadores a entender como os microraptores utilizavam suas asas para se deslocar entre as árvores, oferecendo novas pistas sobre as origens do voo das aves. As reconstruções artísticas de microraptores, à primeira vista, parecem com pássaros. “Se você visse um deles empoleirado em uma árvore, não pensaria que era um velociraptor de ‘Jurassic Park’”, afirmou Lamanna. “Este é um dinossauro que se assemelha muito a um pássaro e que poderia voar até certo ponto.”
Características e evolução dos microraptores
O corpo de um microraptor era coberto de penas — possivelmente até mais do que as aves modernas, pois, além dos braços, ou “asas”, esses dinossauros também tinham longas penas nas patas traseiras, criando a aparência de quatro asas. “Isso levou muitos paleontólogos a sugerir que essas criaturas provavelmente viviam no chão em alguns momentos, mas também podiam escalar e planar de árvore em árvore, quase como um esquilo voador moderno”, explicou Lamanna.
Os menores microraptores tinham tamanho semelhante ao dos corvos atuais, enquanto o Jian changmaensis provavelmente tinha o tamanho de uma coruja-das-torres. Outros fósseis que podem pertencer ao gênero Microraptor indicam que essas criaturas poderiam ter atingido tamanhos maiores, sugerindo que Jian changmaensis estava em um ponto intermediário.
Embora velociraptors e microraptors não fossem aves, eram parentes próximos, como o Archaeopteryx. A linha que separa dinossauros e aves primitivas se torna mais tênue com novas descobertas, especialmente porque os semelhantes a aves estão cada vez mais próximos dos dinossauros.
Aspectos anatômicos e suas implicações
O fóssil de Jian changmaensis apresenta uma característica distintiva no coracoide, um componente da estrutura do ombro, que é a fenestra supracoracoide, um grande orifício que quase divide o osso do ombro ao meio. Essa característica é comum a todos os microraptores, mas rara em outras criaturas.
A função desse orifício ainda é uma questão em aberto, mas Lamanna acredita que pode estar relacionada ao voo. Assim como as aves modernas, os microraptores possuíam ossos do ombro longos, e o Jian changmaensis tinha um osso do ombro excepcionalmente longo.
“Pode ter algo a ver com o voo planado ou com a adaptação das estruturas dos ombros para um voo mais eficaz”, disse Lamanna. O fóssil, embora composto por poucos ossos, indica que o dinossauro provavelmente era voador, conforme destacou Steve Brusatte, professor de paleontologia e evolução da Universidade de Edimburgo, na Escócia. “Isso é incrível, um novo fóssil de dinossauros que estavam praticamente na transição para se tornarem verdadeiras aves”, comentou Brusatte.
O que sabemos sobre a dieta do Jian changmaensis
Os pesquisadores continuam a investigar por que os parentes menores do velociraptor desenvolveram asas e passaram a viver em árvores. Lamanna suspeita que havia um nicho disponível para predadores arborícolas, que foi ocupado pelos microraptores. A Bacia de Changma, um antigo lago na província de Gansu, pode ter proporcionado um ambiente favorável para essas criaturas.
O Jian changmaensis provavelmente se alimentava de pássaros, e um fóssil anterior de microraptor foi encontrado com ossos de uma ave em sua caixa torácica. A coautora do estudo, Jingmai O’Connor, paleontóloga de vertebrados, também observou que aglomerados de ossos encontrados na Bacia de Changma se assemelham a pelotas que corujas regurgitam após se alimentarem.
Jian pode ter se alimentado de Gansus yumenensis, uma das primeiras aves da era dos dinossauros já descobertas na China.
Desafios na descoberta de fósseis
Com a descoberta de Jian, os pesquisadores agora têm uma ideia mais clara do que provavelmente se alimentava de Gansus e outras aves antigas na região. No entanto, a pergunta persiste: por que apenas um fóssil de microraptor foi encontrado no local?
Lamanna sugere que, se pudéssemos voltar 120 milhões de anos no tempo, estaríamos na margem de um vasto lago cercado por vegetação, e seria lógico supor que encontraríamos mais frequentemente os animais que habitavam a água do que aqueles que viviam nas margens.
Muitos fósseis de aves e microraptores são geralmente encontrados esmagados, dificultando o estudo de seus ossos e capacidades de voo. Contudo, a asa fossilizada de Jian foi preservada em três dimensões. T. Alexander Dececchi, professor assistente da Universidade Estadual de Dakota, destacou que é raro ver o ombro de um microraptor em 3D. “Isso amplia a distribuição geográfica e ajuda a mostrar a diversidade anatômica desse grupo, o que é importante para entender onde, quando e quem entre eles poderia usar a locomoção aérea”, afirmou Dececchi.
O fóssil também permitirá que os cientistas estudem a evolução das asas e do voo dos microraptores. Como próximo passo, Lamanna e sua equipe planejam escanear a asa para descobrir mais sobre as capacidades de voo ou planagem desses dinossauros.