Foragios políticos usam deepfakes para atacar figuras públicas em redes sociais

Foros políticos usam deepfakes para descreditar figuras públicas nas redes sociais com potencial impacto eleitoral no padrão Discover 2026.

19/08/2026 15:41

4 min

Atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023, na Praça dos Três Poderes, em Brasília
Atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023, na Praça dos Três Po...

A Agência Pública identificou dez figuras públicas que estão sob inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) ou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Embora todos tenham tido suas contas derrubadas anteriormente mediante ordens judiciais — cujos detalhes processuais permanecem sigilosos —, pelo menos quatro deles operam como foragidos do país, disseminando informações falsas a partir do exterior.

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Atividades dos investigados fora do Brasil

O caso de Leonardo Rodrigues de Jesus (“Leo Índio”) é um exemplo disso. O influenciador foi alvo em vários processos e teve sua prisão decretada ainda em 2025 após ser flagrado na fronteira com Argentina.

Conhecido por seu parentesco políticosendo primo tanto de Flávio Bolsonaro (PL), candidato presidencial quanto de Eduardo e Carlos Bolsonaroele também já havia sido acusado no passado pelo esquema das “rachadinhas” envolvendo o gabinete do então deputado estadual, fluminense Hoje*, ele administra perfis a partir da tríplice fronteira argentina – brasileiro, especificamente Puerto Iguazú.

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Por meio dessas contas, Leo Índio compartilha vídeos gerados artificialmente. Um exemplo recente foi uma deepfake publicada em 9 de agosto que mostra Lula recebendo dinheiro; outra ocasião veiculou um vídeo com deepfakes mostrando Renan Santos e militantes do Movimento Brasil Livre seminusando numa sauna. Esses conteúdos são republicados por uma rede composta minimamente por 31 páginas dedicadas à produção sintética, grupo denunciado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no TSE devido a ataques contra o presidente Luiz Inácio Lula da SilvaA ação judicial alegaque essa mesma estrutura soma mais de 1,4 milhão de seguidores e contém cerca de 23 mil publicações na plataforma Instagram.

Outros foragidos disseminam narrativas falsas

O blogueiro Oswaldo Eustáquio também figura entre os investigados. Ele foi procurado pela Justiça brasileira após negar sua extradição em dezembro de 2025 por Espanha, estando nessa condição desde quando havia sido denunciado por associação criminosa ligada ao inquérito sobre a tentativa de golpe do dia 8 de janeiro de 2023.

Enquanto estiver fora das fronteiras brasileiras ele manteve parcerias com páginas que geram conteúdos políticos usando inteligência artificial.

Por meio dessas contas e da página “Dona Maria”, uma influenciadora criada via IA, o conteúdo veicula ataques contra o governo federal enquanto defende Jair Bolsonaro (PL). Um dos vídeos falsos afirma erroneamente ser ex – presidente quem idealizou o PIX.

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Na verdade, essa ferramenta foi desenvolvida pelo Banco CentralAo questionar os fatos na reportagem para a matéria em questão Oswaldo respondeu: “O PIX foi uma iniciativa do banco central na gestão do Governo Bolsonaro. Essa é uma Verdade incontestável.”

Allan dos Santos articula teorias de conspiração

Outro perfil que segue disseminando desinformação sobre as eleições brasileiras e está foragido é Allan dos Santos. Ele reside nos Estados Unidos desde outubro de 2021 data pela qual teve um mandado de prisão preventiva decretada pelo STF.

A Justiça brasileira o procura há anos, tendo bloqueio suas contas bancárias e perfis digitais no país por conta das diversas investigações em seu nome — incluindo aquelas relativas às milícias digitais —, onde ele foi acusado tanto da monetização ilícita quanto do uso dessas receitas para financiar organização criminosa.

Entre as alegações recentes estão menções falsas sobre suposta interferência dos Estados Unidos na política nacional.

Em 13 de julho o influenciador escreveu: “Va logo, Trump. Pegue o Lula!”, acompanhando uma montagem que mostra um presidente em referência a Nicolás Maduro e sua prisão Anteriormente*, ele se juntou ao também foragido Alexandre Ramagem — ex – chefe da Abin durante governo Bolsonaro —, condenado por organização criminosa armada; os dois fazem lives diárias no canal Time Line.

Nesses momentos eles chegaram inclusive a disseminar desinformação falsa ligando as eleições brasileiras à empresa Smartmatic, acusada fraudulentamente sobre fraude na Venezuela.”

Desafios jurídicos de jurisdição internacional

A professora Yasmin Curzi, pesquisadora especializada em direito digital pela FGV Rio, apontou que o fato desses influenciadores estarem fora do Brasil pode limitar significativamente o alcance das decisões judiciais nacionais. Segundo ela: “a efetividade dessas ordens depende fundamentalmente da cooperação entre países”.

O caso evidencia os desafios enfrentados pelas autoridades ao tentar coibir a disseminação coordenada e sofisticada conteúdos falsos por indivíduos foragidos.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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