Flávio e Lula levam campanhas opostas a Santa Catarina neste sábado
Flávio e Lula levam campanhas opostas a Santa Catarina neste sábado, com o candidato do PL tentando ampliar vantagem de 52% contra 26% do petista.
O cenário político em Santa Catarina ganha contornos de uma verdadeira batalha eleitoral neste sábado (19). De um lado, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, desembarca no estado onde sua legenda é dominante. Do outro, o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta, em meio à adversidade, reduzir a vantagem do adversário em uma das regiões mais bolsonaristas do país.
Uma pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada na quinta – feira (17), escancara o desafio petista. No cenário estimulado de primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor, Flávio aparece com 52% das intenções de voto em Santa Catarina.
Lula soma 26% — menos da metade do rival. Se a disputa for para um segundo turno entre os dois, o cenário é ainda mais desfavorável para o atual presidente: o candidato do PL teria 62%, contra 30% de Lula.
Agendas opostas e palanques estaduais
Flávio começa o giro catarinense pela manhã em Joinville. À tarde, segue para Chapecó. Nos dois compromissos, ele terá encontros com aliados e participará de comícios. O governador Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição, acompanha o presidenciável nos eventos pelo estado.
Enquanto isso, Lula concentra sua agenda em Florianópolis. Pela manhã, o petista participa de um comício na praça Tancredo Neves, no centro da capital catarinense. O ato será ao lado de aliados que disputam eleições no estado, numa tentativa de fortalecer a chapa local e impulsionar a própria candidatura.
Missão de Flávio: eleger o irmão Carlos
Apesar da vantagem confortável na pesquisa presidencial em Santa Catarina, a missão de Flávio no estado vai além de sua própria campanha. Um dos principais objetivos é impulsionar a candidatura do irmão Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado. Carlos, que construiu a carreira política no Rio de Janeiro, trocou o domicílio eleitoral para Santa Catarina em dezembro do ano passado.
A mesma pesquisa Real Time Big Data mostra a disputa acirrada. A deputada federal Carol de Toni (PL), também apoiada por Flávio, lidera com 22%. Carlos aparece empatado tecnicamente com o atual senador Espiridião Amim (PP), ambos com 20%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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Como os eleitores catarinenses elegerão dois senadores neste ano, o objetivo de Flávio é eleger tanto Carlos quanto Carol, embora Amin, um político tradicional e ligado ao bolsonarismo, siga forte no estado. Outro irmão de Flávio na política catarinense é Jair Renan Bolsonaro (PL), eleito vereador em Balneário Camboriú em 2024 e agora candidato a deputado federal.
Estratégia de Lula: apostar na fragmentação da direita
Aliados do presidente Lula reconhecem abertamente a dificuldade de vencer as resistências em Santa Catarina. A aposta, no entanto, é na fragmentação dos votos da direita para conseguir avançar nas disputas estaduais. Na corrida pelo governo do estado, Jorginho Mello e o ex – prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD) dividem o eleitorado conservador.
Pelo Senado, a briga pelo voto bolsonarista se dá entre Carlos, Amin e Carol de Toni.
O candidato ao governo apoiado por Lula é o empresário Gelson Merísio (PSB). Ele apoiou Jair Bolsonaro no passado, mas hoje faz críticas ao ex – presidente e tenta atrair eleitores moderados. Para o Senado, o petista apoia o ex – deputado federal Décio Lima (PT) e o economista Afrânio Boppré (PSOL.
A aposta dos aliados de Lula é que, com a divisão da direita, Mello não consiga vencer a eleição para o governo no primeiro turno. Nesse cenário, Merísio poderia superar Rodrigues e ir para o segundo turno contra o atual governador, o que garantiria a Lula um palanque forte em outubro.
No Senado, a estratégia é similar: que Décio Lima consiga aglutinar votos da esquerda e de parcelas moderadas para conquistar uma das cadeiras. No entanto, há ponderações internas sobre o baixo conhecimento da população em relação a Boppré.
Pesquisas internas indicam que isso pode levar o eleitor de Décio a escolher o senador Espiridião Amin como segundo voto para a Casa Alta, complicando os planos da esquerda.