Ministro Flávio Dino apoia repactuação de acordos de leniência da Lava Jato, destacando papel da CGU e divergências com André Mendonça em julgamento no STF.
O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), manifestou seu apoio à repactuação dos acordos de leniência firmados por empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato. Contudo, ele apresentou uma divergência parcial em relação ao relator do caso, ministro André Mendonça, ao destacar a importância da CGU (Controladoria-Geral da União) nesse processo.
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O assunto é discutido na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 1051, cujo julgamento foi retomado em plenário virtual na última sexta-feira (28). A análise pelos ministros prosseguirá até 5 de dezembro. No seu voto, Dino enfatiza a necessidade de complementar a tese do relator, ressaltando que os órgãos públicos devem levar em conta sanções já impostas em outras instâncias para evitar duplicidade de punições.
O ministro também sugere que a CGU pode firmar acordos em conjunto com os legitimados para ação judicial, buscando uma resolução global, tanto administrativa quanto civil. Dino defende a ideia de um acordo único e abrangente, enquanto Mendonça admite a possibilidade de acordos separados.
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De acordo com o voto de Dino, o MPF (Ministério Público Federal) deve atuar apenas de forma subsidiária, caso haja omissão administrativa. Ele também considera que a compensação deve incluir sanções de Tribunais de Contas e decisões judiciais, estabelecendo limites e abrangência para essa compensação.
Os acordos de leniência, que funcionam como uma espécie de “delação premiada” para empresas investigadas, foram questionados no STF por partidos como PSOL, PCdoB e Solidariedade. As legendas argumentam que esses acordos prejudicam as empresas e possuem um caráter “punitivista e inconstitucional”.
No pedido, os partidos solicitaram que a CGU fosse definida como o órgão responsável por negociar esses acordos. O relator, André Mendonça, afirmou que não houve coação para a assinatura dos acordos e que eventuais problemas devem ser analisados individualmente.
Ele também destacou que os acordos não ofereceram descontos nas multas, mas apenas alteraram o cronograma de pagamento, considerando a situação financeira das empresas.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.