Financiamento da Safra no Brasil
O financiamento da safra é a etapa inicial da produção agrícola no Brasil. Antes do plantio, os produtores precisam assegurar recursos para insumos, máquinas e custeio da lavoura, além de investimentos de médio e longo prazo.
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Esse financiamento é realizado através de uma combinação de crédito rural oficial, recursos privados, instrumentos do mercado financeiro e operações estruturadas com tradings. De acordo com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), o modelo brasileiro de financiamento é um dos mais complexos do mundo, reunindo fontes com juros controlados e recursos livres que atuam de forma complementar.
Crédito Rural: A Base do Sistema
No Plano Safra 2025/2026, o governo federal disponibilizou R$ 516 bilhões para o financiamento da agropecuária. Deste montante, R$ 174,6 bilhões, ou 34%, são recursos controlados, com taxas de juros fixas. Esses recursos incluem depósitos à vista, fundos Constitucionais de Financiamento (FCO, FNO e FNE), Funcafé e outros.
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Dentro desse total, R$ 113,8 bilhões foram destinados a médios e grandes produtores, sendo R$ 64,25 bilhões para custeio e R$ 49,53 bilhões para investimentos. O Tesouro Nacional subvencionou esses financiamentos, arcando com R$ 3,9 bilhões para viabilizar a equalização, conforme informações do Mapa.
Recursos Livres: A Maioria do Financiamento
A maior parte do crédito da safra provém de recursos livres. No Plano Safra atual, R$ 300 bilhões são recursos livres direcionados, que têm a obrigação normativa de aplicação no crédito rural, enquanto R$ 27 bilhões são recursos livres sem direcionamento.
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Isso indica que apenas cerca de 8% dos recursos livres não estão vinculados ao controle governamental.
Os recursos livres direcionados, por possuírem exigibilidade normativa, geralmente apresentam encargos financeiros menores em comparação aos livres sem direcionamento.
A Força dos Instrumentos Privados
Além do crédito bancário tradicional, instrumentos privados têm ganhado destaque no financiamento da safra. Segundo o Mapa, esses instrumentos fazem parte da política agrícola brasileira e atuam de forma complementar ao crédito oficial. No planejamento do Plano Safra 2025/2026, as operações com CPR (Cédula de Produto Rural) totalizam R$ 188,53 bilhões, representando 37% do crédito rural programado.
Dados do Banco Central indicam um crescimento significativo no uso desses instrumentos entre 2021 e 2025, com as CPRs aumentando de R$ 117,9 bilhões para R$ 562,9 bilhões, e as LCAs de R$ 178 bilhões para R$ 600,1 bilhões. Esses instrumentos conectam produtores ao mercado financeiro, ampliando as fontes de recursos e diminuindo a dependência do crédito subsidiado.
O Papel das Cooperativas
No crédito cooperativo, o Sicoob, sistema de cooperativas financeiras, tem ampliado sua atuação junto a pequenos e médios produtores, mesmo em um cenário de juros elevados. Francisco Reposse, diretor comercial e de canais do Sicoob, destacou que, apesar do contexto econômico desafiador, a cooperativa tem se destacado no apoio a esses produtores.
Segundo Reposse, o desembolso para pequenos produtores cresceu 28% no Pronaf, enquanto o crédito para médios produtores avançou 17% no Pronamp, tanto para custeio quanto para investimento. Ele também mencionou que a necessidade de renegociações se manteve em um nível baixo, atribuindo isso à estratégia de ter uma carteira diversificada e ajustada à realidade do produtor.
