Figueiredo doou fundos à deputada americana contra Moraes
Paulo Figueiredo financiou aliados bolsonaristas nos EUA enquanto Moraes enfrentava críticas internacionais.
Segundo um levantamento exclusivo da Agência Pública divulgado hoje no portal Poder360, há registros de que ela realizou doações substanciais a aliados brasileiros — incluindo seu aliado Paulo Figueiredo—, enquanto promovia ações legislativas nos Estados Unidos com foco na crítica às decisões judiciais tomadas no Brasil.
Os dados mostram uma sequência coordenada: Paulo Figueiredo fez aportes financeiros significativos para apoiar os esforços eleitorais e políticos dos bolsonaristas americanos antes mesmo dela apresentar projetos visando restringir direitos considerados “censura” em território norte – americano contra figuras como Alexandre de Moraes.
A matéria detalha o histórico financeiro dessas movimentações até 2025, ano crucial nas disputas políticas brasileiras que culminaram também na tentativa internacional de penalizar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF.
Doações americanas a aliados brasileiros
Os registros oficiais da Comissão Eleitoral Federal americana (FEC) apontam detalhes sobre as contribuições feitas por Paulo Figueiredo para os comitês eleitorais ligados à campanha de Salazar.
Em 14 de agosto de 2024, foi registrado um depósito totalizando US 10.000 — valor equivalente ao máximo permitido legalmente uma pessoa física pode doar aos diretórios estaduais em cada ciclo eleitoral —, direcionado especificamente ao “Salazar Victory Committee”.
Figueiredo se identificou como jornalista nas doações e o montante integral chegou na mesma data; cinco dias depois disso, a quantia passou pelo fluxo financeiro até serem transferidas duas parcelas menores para o comitê “Salazar for Congress”, além de mais recursos destinados ao Freedom Force PAC.
Projeto que visa restringir condutas consideradas censuradoras
A movimentação financeira foi seguida por uma ação legislativa direta. Em 16 de setembro de 2024, Maria Elvira Salazar apresentou um projeto chamado “No Censors in our Shores Act” (sem censores em nossas fronteiras), juntamente com Darrell Issa da Califórnia republicana.
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O texto proposto busca barrar a entrada nos EUA para estrangeiros envolvidos na suposta violação à Primeira Emenda Constitucional e permite sua deportação caso essa condição seja constatada no exterior. É importante notar que o artigo descreve condutas realizadas contra cidadãos estadunidenses localizados nos Estados Unidos enquanto atuavam como funcionários governamentais estrangeiros.
Ataques internacionais aos ministros brasileiros
O foco da influência política se intensificou em 2025 com esforços coordenados para penalizar membros das instituições brasileiras perante os EUA.
Em fevereiro deste ano, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo visitaram o gabinete de Salazar novamente; na ocasião anterior eles haviam pedido que ela reapresentasse a legislação. O projeto não avançou no Congresso americano até agora, mas segue sob tramitação.
Paralelamente ao lobby político interno nos Estados Unidos — onde também buscaram apoio do deputado Jim Jordan —, houve um movimento mais direto contra figuras jurídicas nacionais.
No mês de julho de 2025, Marco Rubio, Secretário do Departamento de Estado dos EUA (sob governo Trump), anunciou cancelamento de vistos para Alexandre de Moraes, sua esposa, familiares, além dos ministros Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Carmen Lúcia, Edson Fachin e Gilmar Mendes.
O Procurador – Geral da República Paulo Gonet foi igualmente afetado pela medida. Rubio afirmou que o próprio governo responsável por tais ações “responsabilizará estrangeiros” envolvidos na censura em território americano.
Influência política fora das fronteiras brasileiras
A atuação internacional não se limitou ao Brasil; Salazar também esteve ativa apoiando candidatos alinhados a Donald Trump no cenário latino – americano nos últimos anos de 2025.
Em junho do mesmo ano, ela acompanhou as eleições presidenciais colombianas. Anteriormente e mais perto da virada eleitoral brasileira (novembrodezembro), houve alertas sobre o pleito hondurenho: apenas nove dias antes das urnas presidentes na Honduras — em novembro —, Maria Elvira advertiu que os olhos dos EUA estariam vigiando até dia 30 para evitar uma vitória comunista.
Outro exemplo ocorreu em abril de 2025, quando Salazar solicitou ao Secretário do Tesouro americano Scott Bessent a liberação parcial de um empréstimo concedido à Argentina pelo FMI.
O apoio financeiro aos aliados foi celebrado por ela após Javier Milei vencer as eleições legislativas argentinas no outono daquele ano. Esses eventos demonstram o uso contínuo dessa influência política e econômica americana como ferramenta estratégica na defesa das pautas políticas alinhadas com seus apoiadores brasileiros.**