FIFPRO revela que 49% das jogadoras pensam em abandonar o futebol
O relatório da FIFPRO aponta que 59% das jogadoras que pensam em desistir citam a situação financeira como principal causa.
Quase metade das jogadoras de futebol no mundo pensa em abandonar a carreira antes do previsto. É o que aponta um relatório inédito da FIFPRO, o sindicato global dos jogadores, divulgado nesta semana. O principal motivo? Aperto financeiro e problemas de saúde mental.
O levantamento, chamado de Relatório Global de Emprego da FIFPRO de 2026, ouviu 800 atletas de diversos países. Cerca de 49% delas disseram que consideram deixar o futebol mais cedo do que gostariam. Desse grupo, 59% culpam a situação financeira, e 46% apontam o estresse psicológico como o grande vilão.
Salário médio triplica, mas mediana expõe desigualdade
O estudo mostra que a média salarial mensal paga pelos clubes subiu desde 2017 — de olhando já a inflação, o valor chegou a US$ 2.601 (cerca de R$ 13 mil). Parece um avanço, mas a mediana, que é o valor que divide a amostra ao meio, é bem menor: US$ 1.669 (R$ 8.300). Para a FIFPRO, isso revela um crescimento “desigual e fragmentado”.
Em dez países do Leste Europeu analisados, os salários médios sequer alcançam o piso nacional. Mesmo na Europa Ocidental e na região da Ásia Oceania, a remuneração média não é muito superior aos salários mínimos locais. “A profissionalização do futebol feminino está se acelerando em algumas partes do mundo, mas o progresso não chega para todas”, afirmou Alex Culvin, diretora de Futebol Feminino da FIFPRO.
Só metade das jogadoras tem contrato formal
O relatório também escancara a precariedade das relações de trabalho. Apenas 56% das jogadoras têm contrato de trabalho. A situação é ainda pior em outros direitos: só 13% recebem contribuição previdenciária do clube, e 47% disseram que seus times não têm equipe suficiente para dar suporte.
Por outro lado, a duração média dos contratos subiu de 12 para 19 meses desde 2017. E a proporção de atletas com agentes saltou de 14% para 41%. Mesmo assim, a FIFPRO alerta que ter um contrato por escrito, acesso a plano de saúde ou licença maternidade depende mais do país e do clube do que do talento da jogadora.
Saúde mental vira preocupação central
A saúde mental apareceu como um dos pontos mais críticos. 57% das jogadoras relataram problemas nessa área. Pior: metade delas não recebeu qualquer tipo de apoio do clube para lidar com a situação. A FIFPRO defende que o suporte psicológico se torne obrigatório nos contratos.
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A entidade cita como exemplo a Nova Zelândia, onde profissionais de saúde mental atuam junto às equipes dos clubes e as atletas têm direito a seis meses de licença para tratamento. “Há um tema recorrente de precariedade e condições frágeis”, diz Culvin. “As jogadoras enfrentam expectativas profissionais, mas sem um ambiente de trabalho profissional.”
Proteção à maternidade avança com regras da Fifa
Uma área que a FIFPRO considera que melhorou foi a proteção à maternidade. Desde que a Fifa criou padrões mínimos globais em 2021, a proporção de jogadoras que pensam em largar o futebol para ter filhos caiu de 47% para 19%. Para Culvin, o futebol feminino vive um momento em que a expansão comercial precisa andar de mãos dadas com mais proteção às atletas. “Não precisa ser uma escolha entre crescimento e proteção. As duas coisas precisam caminhar juntas”, concluiu.