Organizações de Torcedores Denunciam a Fifa à Comissão Europeia
Organizações de defesa do consumidor e torcedores acionaram a Comissão Europeia nesta terça-feira, 24 de março de 2026, contra a Fifa, levantando sérias preocupações sobre a venda de ingressos da Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México.
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A Football Supporters Europe (FSE) e a Euroconsumers apontam práticas consideradas “opacas e desleais”, incluindo preços elevados e a baixa disponibilidade de entradas.
O comunicado das organizações destaca que a Fifa abusa de sua posição de monopólio na comercialização dos ingressos, utilizando preços dinâmicos e limitando a oferta de entradas mais acessíveis. A representação se baseia no artigo 102 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, que proíbe o uso indevido de uma posição dominante no mercado.
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A expectativa é que o processo possa levar a uma investigação formal e à imposição de medidas à entidade.
Críticas à Estratégia de Venda da Fifa
As associações identificaram seis abusos específicos na estratégia de venda de ingressos da Fifa. Em primeiro lugar, apontam para preços excessivamente altos, que superam em muito os valores de edições anteriores e as estimativas da própria Fifa.
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Um ingresso para a final, que custava US$ 4.185 em 2022, agora é vendido por US$ 4.185. Em segundo lugar, a Fifa divulgou ingressos a US$ 60 para a fase de grupos, mas esses ingressos eram tão escassos que se esgotaram antes da abertura das vendas ao público.
A prática é considerada publicidade enganosa.
Preços Dinâmicos e Técnicas de Pressão
Além disso, as organizações criticam o uso de preços dinâmicos sem controle, que variam conforme a demanda e podem aumentar sem aviso prévio. A falta de transparência sobre os critérios de precificação e a utilização de técnicas de pressão, como e-mails que criam a sensação de urgência, também são apontadas como abusos.
A cobrança de taxas de revenda de cerca de 15% eleva ainda mais o custo final dos ingressos.
Defesa por Associações e Perspectivas Futuras
A reclamação ocorre em um momento de maior escrutínio sobre a Fifa na Europa. O comissário europeu Glenn Micallef já havia manifestado preocupações relacionadas ao torneio. As associações defendem que a venda de ingressos é uma atividade econômica sujeita às regras de concorrência da União Europeia.
Caso o processo avance, pode levar a uma investigação formal e à imposição de medidas à Fifa, como maior transparência nas vendas e eventuais limites de preços. A Copa do Mundo começa em 11 de junho de 2026.
