Fibromialgia no Brasil: Desvendando os Desafios e Preconceitos Enfrentados por Milhões

Fibromialgia: Desafios e Realidades no Brasil
Estima-se que cerca de 6 milhões de brasileiros sofram com a fibromialgia, conforme dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Esse número representa aproximadamente 3% da população nacional, o que equivale a mais da metade dos habitantes da cidade de São Paulo.
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Apesar de ser uma condição relativamente comum, a fibromialgia ainda enfrenta um grande desafio: o preconceito. Um estudo publicado no Brazilian Journal of Pain revela que, para cada homem diagnosticado, existem 5,5 mulheres afetadas, especialmente na faixa etária de 35 a 60 anos.
Sem alterações visíveis em exames laboratoriais ou de imagem, muitos pacientes levam anos para compreender a origem das dores, do cansaço extremo e das limitações que a doença impõe, até que finalmente recebem um diagnóstico correto. A fibromialgia é uma condição crônica que se caracteriza por dor difusa pelo corpo, fadiga persistente, distúrbios do sono e dificuldades de concentração.
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Esses sintomas frequentemente impactam a vida profissional, social e emocional dos afetados.
Compreendendo a Fibromialgia
De acordo com o reumatologista Marcos Renato de Assis, membro da Comissão de Dor, Fibromialgia e Reumatismo de Partes Moles da SBR e diretor científico da Sociedade Paulista de Reumatologia (SPR), a fibromialgia deve ser entendida além da dor física. “Embora comprometa a qualidade de vida, a doença não causa deformidades ou lesões estruturais.
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Os pacientes não apresentam alterações em órgãos internos nem sequelas físicas, como ocorre em algumas doenças inflamatórias”, explica.
Um dos principais sinais da fibromialgia é a dor difusa, que geralmente afeta várias partes do corpo simultaneamente. Segundo o especialista, essa dor costuma acometer ambos os lados do corpo, acima e abaixo da cintura, incluindo a região do tronco.
Outro sintoma comum é o cansaço persistente, que muitas vezes não condiz com o esforço diário. “Frequentemente, a pessoa dorme por várias horas e acorda sem se sentir descansada, como se tivesse trabalhado a noite toda”, afirma o médico.
Tratamento e Abordagem Multidisciplinar
Embora não haja cura, os tratamentos disponíveis atualmente podem melhorar significativamente a dor e a funcionalidade dos pacientes. Contudo, especialistas ressaltam que a fibromialgia não deve ser tratada apenas com medicamentos. A prática regular de atividades físicas é uma das principais estratégias terapêuticas.
Além disso, acompanhamento psicológico, melhoria da qualidade do sono, redução do estresse e mudanças no estilo de vida são fundamentais na abordagem recomendada.
Os medicamentos são utilizados como suporte no controle da dor, ansiedade, depressão e outros sintomas associados. “Nosso objetivo é garantir que a pessoa tenha qualidade de vida e consiga manter suas atividades diárias, além de um convívio familiar e profissional satisfatório”, destaca Marcos Renato.
Nos últimos anos, novas terapias, como técnicas não invasivas de estimulação cerebral, têm mostrado resultados promissores no alívio dos sintomas em alguns pacientes.
Causas e Fatores Associados
As causas exatas da fibromialgia ainda não são completamente compreendidas, mas pesquisadores indicam que uma combinação de fatores físicos, emocionais e biológicos pode estar relacionada ao seu surgimento. Entre os fatores associados estão traumas físicos, estresse prolongado, obesidade, doenças inflamatórias e transtornos psiquiátricos. “Muitas pessoas relatam que os sintomas começaram após uma perda significativa, uma separação ou um período de grande sofrimento emocional”, comenta o especialista.
Pesquisas em diversos países buscam entender como o sistema nervoso autônomo reage ao estresse e como isso pode influenciar o desenvolvimento da doença. Segundo o médico, nem todo estresse é prejudicial; o problema surge quando a carga emocional ultrapassa a capacidade de adaptação do organismo. “Há um estresse saudável que promove adaptação, mas também existe aquele que desestabiliza completamente o sistema de resposta do corpo”, explica.
Desafios no Diagnóstico e Tratamento
Apesar dos avanços nas pesquisas sobre a fibromialgia, o acesso ao diagnóstico e tratamento ainda é um desafio significativo no Brasil, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS). Marcos Renato observa que muitos pacientes convivem com dores por décadas antes de receberem um diagnóstico correto. “Encontramos pacientes que foram encaminhados após 20 ou 30 anos de dor.
Isso é crucial, pois quanto mais precoce o diagnóstico, melhor tende a ser o prognóstico”, alerta.
Ele também enfatiza a importância de fortalecer equipes multidisciplinares na rede pública, uma vez que o tratamento requer o acompanhamento de diversos profissionais, como fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais e educadores físicos.
Combater a desinformação é essencial no enfrentamento da doença, já que muitos pacientes ainda enfrentam descrédito, inclusive nos serviços de saúde. Para o especialista, a fibromialgia destaca a necessidade de uma medicina mais humanizada, que priorize a escuta do paciente. “É fundamental entender a história de cada pessoa, olhar além dos sintomas e compreender o contexto em que vive”, conclui.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



