Festival de Tribeca aceita filme gerado por inteligência artificial e provoca debate sobre o futuro

o potencial da inteligência artificial na narrativa cinematográfica. Quais serão os impactos dessa inovação na indústria do cinema?

(Imagem de reprodução da internet).

Festival de Tribeca Aceita Filme Gerado por Inteligência Artificial

O Festival de Tribeca fez história ao se tornar o primeiro grande festival a aceitar um filme live-action gerado por inteligência artificial, conforme afirmaram os cineastas da Fountain 0. “Foi bastante chocante. Não achávamos que isso seria aceito tão cedo dentro do modelo tradicional da indústria.

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Mas, quando foi, isso acabou provando um ponto: a história é mais importante do que a forma como é feita. A maneira como ela é produzida é uma discussão que ainda precisa acontecer”, declarou Ash Koosha, diretor do filme.

Os cineastas revelaram que o filme aborda os acontecimentos de janeiro de 2026 no Irã e serve como um memorial a todos os eventos que ocorreram no país ao longo das últimas décadas. A narrativa é contada pela perspectiva de algumas vítimas, representações fictícias de manifestantes presos em um beco, observadas por um menino que decide agir ao testemunhar a violência.

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Processo de Criação e Uso da IA

Koosha, que atualmente reside em Londres, quis esclarecer a ideia equivocada de que o filme foi gerado com o simples apertar de um botão. “A única parte do filme feita com IA é, principalmente, o vídeo, a geração das imagens, que é a parte impossível.

Além disso, precisei fazer algumas interpretações de voz e depois usar IA para transformar minha voz nas vozes dos personagens apropriados.”

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O cineasta explicou que o uso da IA teve como objetivo proteger identidades e evitar colocar pessoas diretamente na tela. No entanto, ele acrescentou que, em projetos futuros — e de forma geral no uso da IA — surgirá a questão de como garantir uma participação justa nos lucros do filme em relação à biologia das pessoas, como voz e imagem.

Expectativas para o Futuro do Cinema

Koosha realizou o filme em parceria com seu irmão, Pooya Koosha. Ambos possuem experiência na área de tecnologia e esperam que o projeto represente o primeiro passo para a criação de uma “Hollywood 2.0”. “A parte importante deste filme é mostrar que, na verdade, não devemos usar IA em todos os filmes.

Acho que a forma tradicional de fazer cinema vai continuar existindo e que veremos uma separação entre filmes que antes eram simplesmente impossíveis de financiar e produzir, porque não se consegue reunir a mesma quantidade de trabalho humano. Nesses casos, recorre-se parcialmente à IA.”

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O filme estreou oficialmente no festival na quarta-feira (10).