Fertilizantes para safra de 2026 enfrentam riscos de aumento de preços e abastecimento limitado

A comercialização de fertilizantes para a safra de 2026 entra em uma fase crítica. Apesar de as compras para a soja acompanharem o ritmo do ano passado, o último terço da demanda apresenta riscos elevados de aumento de preços e dificuldades de abastecimento, especialmente no que diz respeito aos fertilizantes fosfatados.
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O analista de insumos do Rabobank, Bruno Fonseca, informou que até meados de junho o volume de aquisições para a soja estava próximo ao registrado no mesmo período do ano anterior, com cerca de dois terços da demanda já fechados. No entanto, as atenções se concentram nesse último terço, que envolve tanto o volume comprado quanto o ritmo de entrega dos insumos.
Desafios enfrentados pelas culturas
Culturas como milho, café, cana – de – açúcar e citros passam por um momento mais tranquilo em relação ao acesso aos fertilizantes. Isso contrasta com a soja, que se destaca como a cultura sob maior pressão no atual cenário.
No que tange aos nutrientes, o quadro também é desigual. Em relação ao potássio, espera – se que o acesso permaneça estável, com importações em volume recorde até o final de maio. Por outro lado, a situação do fósforo acende um sinal amarelo: segundo Fonseca, o preço do insumo se mantém há oito semanas próximo de US 900 por tonelada no porto.
Os produtores que já realizaram suas compras tendem a estar em uma posição financeira mais sólida. No entanto, o maior risco reside exatamente entre aqueles que costumam comprar na última hora. Este grupo pode acabar enfrentando preços mais altos ou até mesmo dificuldades para adquirir os insumos necessários.
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Impactos do conflito geopolítico
Sobre os efeitos do conflito geopolítico no Oriente Médio sobre o consumo de fertilizantes, Fonseca acredita que as previsões mais alarmistas feitas no início do conflito não devem se concretizar. A expectativa é de uma redução nas entregas de fertilizantes no Brasil, passando de 49 milhões para 47 milhões de toneladas.
O analista também aponta que uma nova revisão deve ocorrer para 2026, com uma possível queda adicional de cerca de 2 milhões de toneladas.
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Ainda assim, cenários extremos — como um recuo para menos de 40 milhões de toneladas ou um retorno aos níveis observados em 2019 — estão descartados por ele. A previsão mais provável é uma redução para aproximadamente 45 milhões de toneladas, próximo ao patamar esperado para 2024.
Os dados sobre importação revelam mudanças na composição dos fosfatados: notou – se um aumento na participação de produtos como super triplo e super simples, que possuem menor concentração de nutrientes em comparação aos anos anteriores. Mesmo assim, o volume total importado de P2O 5 ficou acima do registrado no mesmo período do ano passado.
Expectativas para os próximos meses
A situação negativa se concentra nas importações do MAP (fosfato monoamônico), que atingiram o menor nível nos primeiros cinco meses do ano desde 2018. Entre janeiro e maio deste ano foram importadas cerca de 1 milhão de toneladas desse produto — similar ao volume registrado em 2018.
Com isso, Fonseca alerta que esse atraso na chegada dos volumes importados poderá gerar um período tenso tanto para empresas quanto para produtores. Aqueles que deixarem a compra dos fertilizantes para o final do ciclo podem enfrentar desafios ainda maiores.
As janelas críticas para acompanhamento das compras são claras: até meados de agosto será necessário focar nas importações e aquisições para a soja; após esse período, a atenção deve se voltar para o milho safrinha. As compras dos nitrogenados tendem a ser concentradas após os produtores finalizarem suas aquisições da soja.
Por fim, Fonseca não descarta um novo aumento nos preços durante essa transição, especialmente quando as áreas destinadas à safrinha começarem a demandar insumos simultaneamente. Esse efeito pode ser potencializado pela demanda forte da Índia por leilões internacionais e pela incerteza contínua relacionada ao conflito no Oriente Médio.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



