Feminicídio no RS: Por que a Polícia Civil luta sozinha contra a crise?

Feminicídio: o combate vai além da Polícia Civil gaúcha. Entenda a luta em meio à estrutura precária e ao abandono governamental. Clique e saiba mais!

20/04/2026 17:43

4 min

Feminicídio no RS: Por que a Polícia Civil luta sozinha contra a crise?
(Imagem de reprodução da internet).

O Enfrentamento ao Feminicídio: Um Desafio que Excede a Polícia

Quem folhear jornais locais ou navegar por portais de notícias do estado pode ter a falsa impressão de que o combate ao feminicídio é uma responsabilidade exclusiva da Polícia e da Segurança Pública. Ao tratar do tema, a imprensa tende a buscar imediatamente representantes policiais.

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A realidade, contudo, é mais complexa. A Polícia Civil gaúcha, apesar de operar com metade do efetivo ideal e com Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) mal estruturadas, tem realizado esforços significativos para proteger as mulheres, superando as condições oferecidas pelo governo estadual.

Estrutura Precária e Desvalorização Institucional

Para ilustrar a falta de suporte, a maior Deam do estado está localizada no Palácio da Polícia, um prédio que apresenta sinais de deterioração, mesmo após anúncios de reformas nunca concluídas.

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A situação é tão crítica que até a Chefia de Polícia foi realocada para um local precário, após uma chuva expor as péssimas condições estruturais. Isso demonstra que o próprio governo não garante segurança nem aos seus gestores.

O Trabalho da Polícia Civil em Meio às Adversidades

Apesar do cenário adverso, a polícia tem conseguido apurar, identificar e prender os responsáveis pelos assassinatos de mulheres, um feito notável.

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Contudo, o texto alerta que essas ações, por si só, não resolverão a epidemia de feminicídios que atinge o estado. É preciso entender como chegamos a esse ponto crítico.

As Causas Estruturais da Crise de Violência de Gênero

O abandono governamental colocou a Polícia Civil em um momento histórico de extrema vulnerabilidade. Estruturas deficientes, efetivo insuficiente para a demanda e uma das maiores desvalorizações salariais registradas levaram os policiais a um adoecimento constante e a um recorde de pedidos de exoneração.

Além do suporte estrutural e dos servidores, o governo promoveu um desmonte das políticas de proteção às mulheres ao longo de quase oito anos. Esse enfraquecimento, somado à ausência de políticas eficazes contra a misoginia e a violência de gênero, é o que explica o aumento alarmante de feminicídios.

A Reação Governamental e a Necessidade de Visão Profunda

Diante da grande repercussão midiática, o governo reage de maneira superficial, anunciando planos com verbas insuficientes e sem pessoal para execução. Age como se o fenômeno fosse totalmente imprevisível.

É fundamental lembrar que o desespero não é um bom conselheiro na Segurança Pública. Os gestores precisam compreender que, além de prender agressores, é vital construir uma rede ampla de prevenção e acolhimento para as vítimas.

Olhando Além dos Números Oficiais

O feminicídio ocorre majoritariamente no ambiente doméstico, na esfera íntima do lar. Acreditar que a polícia sozinha pode impedir novos casos ignora a dinâmica desse tipo de crime.

Para combater o feminicídio, o governo deve começar pelo básico: reconhecer a verdadeira dimensão do problema. Especialistas concordam que os casos registrados são apenas a ponta do iceberg, havendo uma grande violência coberta pela subnotificação.

A Integração Necessária e a Responsabilidade Coletiva

Pesquisas de vitimização, como as realizadas pelo (FBSP), são ferramentas cruciais para gestores comprometidos. O Governo do Estado do RS tem o dever de coordenar a integração do combate, exigindo uma força-tarefa multi-institucional.

Essa integração deve envolver todas as secretarias, além de parcerias com prefeituras, Judiciário, Ministério Público, OAB e setores produtivos. O resultado só virá quando o discurso se transformar em ação prática no cotidiano das instituições.

Caminhos para um Combate Sustentável

A responsabilidade é de todos, mas cabe ao Governo do Estado do RS estruturar, coordenar e liderar esse processo, algo que não ocorreu sob a gestão de Eduardo Leite.

Qualquer solução exige tempo e compromisso institucional, incluindo o campo educativo, onde as escolas devem formar uma cultura de respeito, debatendo machismo e misoginia nos currículos.

A Importância da LONPC e o Planejamento Técnico

A adequação da gestão policial à Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis (LONPC) é um passo crucial. Ela exige que o planejamento do efetivo seja proporcional à população, área e índices de criminalidade.

A LONPC aponta caminhos técnicos superiores aos discursos eleitorais. Criar unidades policiais sem um debate técnico formal e sem aumentar o quadro funcional é apenas um gesto vazio, que apenas aumentará o número de delegacias com poucos policiais.

Conclusão: Investimento em Prevenção e Justiça

A atuação isolada da polícia, embora essencial para a responsabilização, não impede o aumento dos crimes contra as mulheres. O investimento em Segurança Pública deve priorizar recursos para o setor, reduzindo gastos com propaganda e privilégios, e ampliando o efetivo com formação adequada.

Especialistas apontam que, para melhorar a Segurança Pública, é necessário aumentar em pelo menos 30% o efetivo das polícias investigativas, civil e federal. O desafio é que a investigação policial, vital, não gera manchetes como as viaturas ostensivas, sendo necessário um foco em políticas de prevenção e na Justiça.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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