O aumento alarmante de casos de feminicídio no Rio Grande do Sul tem exposto uma falha crítica no sistema de proteção às mulheres: a distância entre a decisão judicial e a efetiva proteção. A situação, marcada por mais de 70 tentativas de feminicídio em menos de um ano, com uma média de dezenas de horas entre a ordem judicial e o cumprimento, tem gerado preocupação e mobilizado oficiais de Justiça.
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Em resposta, a campanha “Por uma Justiça que Chegue a Tempo” foi lançada, buscando mudanças nos procedimentos para evitar que falhas operacionais resultem em tragédias. A iniciativa surge em um contexto de números preocupantes, com quase 70 mil medidas protetivas encaminhadas ao Judiciário em 2025, elevando o estado ao topo da lista de incidência de feminicídio no país.
Oficiais de Justiça apontam que o principal problema reside no intervalo entre a concessão da medida protetiva e seu cumprimento efetivo. Segundo o presidente da entidade, o tempo de resposta é crucial para a segurança da vítima e do agressor. “Reduzir esse tempo é uma estratégia concreta de prevenção”, afirma ele, enfatizando que a proteção não se limita à decisão judicial.
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A campanha busca chamar a atenção para essa etapa frequentemente negligenciada, destacando que a execução é parte essencial da política pública e requer estrutura, integração e prioridade. Falhas operacionais, como erros de registro de ocorrências e problemas de comunicação entre órgãos, agravam a situação, colocando a vítima em risco mesmo após a ordem judicial.
A vice-presidente da entidade, Helena Veiga, ressalta que os erros não são isolados, refletindo fragilidades estruturais que se repetem em diferentes comarcas. Casos recentes demonstram que essas falhas podem impedir o cumprimento da medida a tempo, mantendo a vítima em situação de risco.
A resposta institucional envolve diversos atores, incluindo o Ministério Público do Estado, que reforça a necessidade de fiscalização, e as forças de segurança, que ampliam programas específicos e delegacias especializadas. O governo estadual também implementa iniciativas como monitoramento eletrônico de agressores e expansão de serviços de atendimento às vítimas.
Apesar dos esforços, especialistas e parlamentares apontam lacunas importantes, como a falta de estrutura especializada em cerca de 70% dos municípios gaúchos. Projetos em tramitação na Assembleia Legislativa cobram maior integração de políticas públicas e priorização do tema.
A campanha dos oficiais de Justiça defende a padronização de procedimentos, a qualificação das informações, a criação de fluxos mais ágeis e a ampliação do número de servidores. A integração entre os diferentes órgãos da rede de proteção, incluindo Judiciário, polícias, Ministério Público e assistência social, é vista como fundamental para evitar fragmentação e atrasos.
A mobilização e o debate público sobre o papel da execução das decisões judiciais no enfrentamento ao feminicídio são cruciais. A campanha busca evidenciar que a existência de leis e medidas não garante a proteção das mulheres, ressaltando a necessidade de ações rápidas e efetivas.
Organizações da sociedade civil reforçam esse diagnóstico, apontando que a maioria dos feminicídios ocorre em contextos de violência já conhecidos pelas autoridades. O estado participa de iniciativas nacionais, como o programa coordenado entre segurança, justiça e assistência social, buscando soluções conjuntas para o problema.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.
