Feminicídio dispara no Rio! Estudo aponta crise e revela 51 mortes de mulheres em 2024. Alerta: 76% das vítimas são negras e crimes ocorrem em casa. Saiba mais!
A Prefeitura do Rio de Janeiro lançou, em 2026, a 5ª edição do Mapa da Mulher Carioca, um levantamento abrangente que detalha os diversos contextos que impactam a vida das mulheres na cidade. O documento apresenta indicadores sociais, econômicos e de segurança pública, organizados em eixos cruciais como violência, cuidados, saúde, educação, emprego e renda.
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O estudo oferece uma visão detalhada da realidade local, com dados relevantes para o planejamento e a implementação de políticas públicas.
As estatísticas do período de 2020 a 2024 revelam um quadro alarmante. O registro de feminicídios triplicou no município, chegando a 51 casos consumados, além de 117 tentativas. A maioria das vítimas eram mulheres negras, representando 76,5% dos crimes, e a grande maioria ocorreu dentro de residências, com o companheiro ou ex-companheiro sendo o principal autor em dois terços dos casos. Adicionalmente, crimes sexuais continuaram a ser um problema grave, com mulheres representando 90,8% das vítimas de importunação sexual, 90,84% de assédio sexual e 86% dos casos de estupro e estupro de vulnerável, com mais de mil envolvendo crianças e adolescentes.
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A Patrulha Maria da Penha e a Ronda Maria da Penha desempenharam papéis importantes na resposta a esses crimes, com um aumento no número de fiscalizações e atendimentos.
Os Centros Especializados de Atendimento à Mulher (CEAMs) e Núcleos Especializados de Atendimento à Mulher (NEAMs) ofereceram 25.385 atendimentos, enquanto o Abrigo Casa Viva Mulher Cora Coralina realizou 4.119. As Casas da Mulher Carioca contabilizaram 176.373 atendimentos, demonstrando a importância desses serviços para mulheres em situação de risco.
O Programa Lares Cariocas acolheu 21 mulheres gestantes e mães com filhos de até dois anos em situação de rua, e o Programa Família Acolhedora atendeu 88 meninas, oferecendo um ambiente seguro e apoio para o desenvolvimento infantil.
O levantamento também destaca disparidades significativas. As mulheres cariocas dedicam cerca de 19 horas e 49 minutos semanais ao cuidado e aos afazeres domésticos, em comparação com as 12 horas e 25 minutos dedicadas pelos homens, representando uma diferença de 364 horas anuais.
Mulheres negras concentram uma carga de trabalho doméstico ainda maior, ultrapassando 20 horas semanais. Além disso, o aumento de 4,5% nos registros de pais ausentes entre 2020 e 2025 e o fato de 15,9% dos domicílios serem compostos por mulheres sem cônjuge com filhos, evidenciam a vulnerabilidade social de muitas mulheres.
A saúde feminina também apresenta desafios, com altas taxas de mortalidade materna e desigualdades no acesso a cuidados médicos, especialmente entre mulheres negras.
A inserção feminina no mercado de trabalho do Rio se concentra no setor de serviços, responsável por 77,15% das novas ocupações. O rendimento médio da mulher carioca em 2025 era de R$ 4.836, equivalente a 75% do rendimento masculino (R$ 6.403).
A taxa de desocupação feminina é de 8,9%, com um índice de 10,6% entre mulheres negras. Em termos de educação, as mulheres representam 57,2% das matrículas e conclusões no Ensino Superior, com um equilíbrio entre os sexos na Educação Básica, e maioria de meninas negras nos GETs.
Apesar disso, os homens apresentam proporcionalmente maior titulação em mestrado e doutorado, indicando desigualdades na progressão acadêmica. No setor de assistência social, o Cadastro Único registra 61,1% das pessoas inscritas como mulheres, e 75% das famílias são chefiadas por elas, com 68,4% sendo negras.
A população feminina no sistema prisional aumentou de 3.366 mulheres no início de 2024 para 3.485 no primeiro semestre de 2025, com um crescimento de 3,5%, enquanto a população masculina diminuiu cerca de 4,5%. A estrutura de saúde é limitada, com apenas quatro ginecologistas para atender todas as mulheres privadas de liberdade, e as visitas caíram drasticamente, indicando maior isolamento no cárcere feminino.
Autor(a):
Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.