Feira da Vivi em Porto Alegre: Um Espaço de Resistência e Empoderamento
Na praça do Tambor, no centro histórico de Porto Alegre, o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) organizou, neste sábado (21), uma importante iniciativa que celebra a memória de Virgínia Faria, bancária da Caixa Econômica Federal vítima de covid-19.
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A feira, que ocorre há três anos, se tornou um ponto de encontro para a economia solidária, manifestações culturais e debates sociais, promovendo a geração de renda, a expressão artística e a mobilização social. A iniciativa visa homenagear a trabalhadora e fortalecer espaços coletivos de resistência.
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Banco Vermelho: Um Símbolo de Luta Contra a Violência de Gênero
Um dos destaques da edição foi a instalação de um banco vermelho, um mobiliário urbano que chama a atenção e serve como ponto de reflexão. A ação integra uma campanha internacional de conscientização sobre feminicídios, ampliada por uma iniciativa já realizada na sede do sindicato.
A advogada Denise Argemi, integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher e coordenadora dos Estados Gerais das Mulheres – Brasil, explica que o projeto tem origem na Itália e vem sendo desenvolvido há cerca de uma década em diversos países, incluindo o Brasil. “O banco vermelho é um mobiliário urbano que chama atenção, mas ele não basta por si só.
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Por trás da instalação, há todo um trabalho de formação e capacitação nas comunidades, escolas e universidades, para difundir os diferentes tipos de violência contra as mulheres”, ressaltou. Argemi também destacou que o feminicídio representa a etapa final de um ciclo de violências, que inclui agressões, assédio e outras formas de violência.
Empoderamento Feminino e Economia Solidária
A feira reuniu diversas empreendedoras que aproveitam o espaço para divulgar seus trabalhos, fortalecer a economia solidária e valorizar a cultura afro-brasileira. Juliana Santos da Silva, dona da marca Use Seu Poder, destacou sua trajetória e o impacto social do seu trabalho. “Sou uma afroempreendedora periférica e sempre empreendi de alguma forma, inclusive junto com minha mãe.
Hoje, produzo acessórios artesanais de tecido africano e materiais sustentáveis, como brincos feitos de papel. A economia solidária caminha comigo desde sempre”, disse. Silva ressaltou que seu trabalho também busca inspirar mulheres que passam por situações de violência, oferecendo uma alternativa de autonomia e expressão criativa.
Visibilidade para Desaparecidos e a Luta Contra o Racismo
Um momento marcante foi a manifestação de uma família que busca por Wueslen, um jovem desaparecido que completa aniversário no dia 3 de abril. No sábado familiares e amigos realizaram uma caminhada pelo centro da capital. A organização do evento cedeu espaço para dar visibilidade ao caso junto ao público presente.
A mãe de Wueslen, Miriam Ferreira de Assis, relatou a angústia da família diante do desaparecimento do filho, que completa 43 dias sem respostas. “Ele saiu para ver um amigo, disse que já voltava e nunca mais voltou. Ele sempre avisava onde estava.
Quando começaram a responder do telefone dele, eu percebi que não era ele. Eu mandava um ponto de interrogação e ele sabia que tinha que responder com áudio. Quem estava com o celular não sabia disso”, contou. As mensagens enviadas, segundo Miriam, não condiziam com o jeito do filho. “Diziam que ele estava com uma namorada, e ele não falaria assim comigo.
Ele não tinha namorada.” A mãe também critica a dificuldade de acesso a informações que possam ajudar nas buscas.
Desafios e Perspectivas
A diretora de base do SindBancários e à frente da Secretaria de Combate ao Racismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Isis Garcia, questionou a invisibilidade das mulheres negras nas estatísticas de feminicídio. “Vocês viram alguma mulher negra ser citada como assassinada na RBS?
Nenhuma. Todas as vítimas eram mulheres brancas, com o fenótipo gaúcho, loiras, olhos claros. Mas sabemos que, na realidade, as mais mortas são as negras. Existe uma proteção seletiva: mulheres brancas geram comoção, mulheres negras são apagadas, invisibilizadas.
Elas convivem diariamente com a violência e, quando morrem, pouco se fala”, afirmou. Além disso, a diretora Sandra Chaves alertou para a violência de grupos virtuais que atacam mulheres, conhecidos como Red Pill, Black Pill e Incels, que instigam violência e têm subgrupos que veem mulheres como rejeição e justificativa para agressão.
A feira reforça a importância da economia solidária e do empoderamento feminino, oferecendo um espaço de resistência e de luta por uma sociedade mais justa e igualitária.
