Festa da Semente Crioula em Seberi atrai 1,5 mil pessoas!
Agroecologia e agricultura familiar em destaque no Rio Grande do Sul. Homenagem a líder camponês e troca de sementes!
Em um sábado ensolarado (14), sob a proteção de uma grande tenda montada na sede da cooperativa camponesa Cooperbio, em Seberi, norte do Rio Grande do Sul, uma comunidade diversa se reuniu. Homens e mulheres de diferentes idades, crianças ligados ao campesinato e representantes de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, participaram de um evento que celebrava a defesa da agroecologia e o respeito por quem produz o alimento.
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A 4ª Feira da Economia Solidária e o 2º Dia de Campo das Sementes Crioulas, promovidos pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e pela cooperativa Cooperbio, reuniram cerca de 1,5 mil pessoas. Camponesas e camponeses, trabalhadores e trabalhadoras urbanos de diversos territórios do Rio Grande do Sul, além de delegações de outros oito estados e quatro países, representantes de movimentos da Via Campesina Brasil e organizações internacionais, participaram do encontro.
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A atmosfera era de troca de experiências e fortalecimento da luta por um sistema alimentar mais justo e sustentável.
Uma das marcas da edição deste ano foi a homenagem ao frade franciscano, dirigente histórico da luta camponesa e do MPA. Reconhecido por sua atuação na organização popular e pela defesa da reforma agrária, da agroecologia e da soberania alimentar, o líder dedicou sua vida a promover um modelo de desenvolvimento mais próximo da natureza e das comunidades rurais.
A celebração do seu legado reforçou a importância da permanência no campo e da valorização do conhecimento tradicional.
A programação incluiu a troca de sementes crioulas, uma feira de produtos da agricultura familiar e atividades de formação. A 4ª Feira da Economia Solidária, com seus artesãos e produtores locais, oferecia uma alternativa ao modelo de consumo tradicional, promovendo o comércio justo e a valorização da cultura local.
A troca de sementes, em particular, representava um ato de resistência e de preservação da diversidade genética, garantindo a autonomia das famílias agricultoras e a segurança alimentar.
Plínio Simas, dirigente do MPA nacional, destacou a importância de diferenciar a agricultura familiar do agronegócio, que muitas vezes prioriza o lucro em detrimento da sustentabilidade e da justiça social. Ele criticou a lógica que equipara a agricultura familiar ao agronegócio, apontando para a concentração de terra e o uso de tecnologias que dependem de grandes empresas.
A defesa da agricultura camponesa como base para a produção de alimentos saudáveis e a preservação do meio ambiente foi um tema central do evento.
Diversas entidades receberam investimentos para desenvolver projetos agroecológicos no Rio Grande do Sul. A Embrapa, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e a Cooperbio receberam recursos para pesquisas, extensão e apoio técnico às famílias agricultoras.
Os projetos incluem a conservação das sementes crioulas, a produção sustentável e o fortalecimento das redes de comercialização solidária, contribuindo para o desenvolvimento de uma agricultura mais justa e resiliente.
A Festa da Semente Crioula de Seberi representou um momento de união e de reafirmação dos valores da agroecologia e da agricultura familiar. A troca de experiências, o fortalecimento das redes de apoio e a defesa de um sistema alimentar mais justo e sustentável são passos importantes para garantir um futuro melhor para o campo e para o país.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.