O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã pode abalar o mercado global de fertilizantes! Entenda como essa decisão impacta a produção de ureia e os preços.
O fechamento parcial do Estreito de Ormuz, anunciado pelo Irã para esta terça-feira (17), pode afetar o mercado global de fertilizantes. A decisão, segundo a mídia iraniana, foi tomada por questões de segurança relacionadas a exercícios navais da Guarda Revolucionária Islâmica na região.
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Os efeitos sobre o transporte de fertilizantes nitrogenados, insumo essencial para a agricultura, podem se tornar significativos se a situação se prolongar. O estreito é uma das principais rotas para o transporte de petróleo e gás natural, com cerca de 20% do consumo mundial passando por ali, além de ser crucial para a logística de insumos industriais.
O Irã é um dos maiores produtores de ureia, matéria-prima fundamental para fertilizantes utilizados em diversas culturas, como milho, trigo e cana-de-açúcar. A ureia também é empregada na indústria química e na alimentação animal. O Oriente Médio representa mais de 40% das exportações globais desse insumo.
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Em 2024, a produção de ureia no Irã foi estimada em cerca de 9 milhões de toneladas, com aproximadamente metade destinada ao mercado externo. Os principais destinos da ureia iraniana incluem Turquia, Brasil e África do Sul. Em 2025, o Brasil importou cerca de 7,7 milhões de toneladas desse fertilizante.
A produção de ureia está intimamente ligada ao gás natural, utilizado na fabricação de amônia, base do fertilizante. Assim, as oscilações nos preços do petróleo e do gás podem impactar os custos do insumo. Desde dezembro, a produção iraniana de ureia tem operado parcialmente devido a cortes no fornecimento de gás, uma situação comum no inverno.
Estima-se que cerca de 450 mil toneladas deixaram de ser produzidas nesse período. No entanto, fevereiro não é um mês de alta demanda por fertilizantes nitrogenados no Brasil. Portanto, os impactos mais significativos sobre preços e abastecimento devem ocorrer se as restrições no estreito se prolongarem.
Autor(a):
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.