Família adia inventário por 25 anos e descobre que não devia imposto

O imóvel avaliado em 2001 ficou abaixo do limite mínimo de tributação, gerando isenção para os herdeiros.

Calculado com base na data do óbito, imposto de inventário surpreende família que esperou 25 anos para partilha

Uma família adiou por 25 anos a abertura de um inventário por acreditar que não teria condições de pagar o imposto. Quando finalmente buscou ajuda jurídica, os herdeiros descobriram que não precisavam desembolsar nada com a tributação.

O caso foi explicado pela advogada de família Mayara Bouças. Segundo ela, o valor do tributo não é calculado com base no preço de mercado atual do imóvel, mas sim pelo valor que o bem tinha na data do óbito. Como a morte ocorreu em 2001, a base de cálculo usada pela fiscalização estadual seguiu a cotação da época.

Alíquota de 4% no estado de São Paulo

No estado de São Paulo, a alíquota do imposto sobre herança é de 4% sobre o valor venal do imóvel. Em 2001, a avaliação oficial do bem registrada na prefeitura era baixa se comparada aos valores de décadas depois.

Ao aplicar a tabela vigente na data do falecimento, o valor apurado ficou abaixo do limite mínimo de tributação. Com isso, o caso se enquadrou em uma faixa de isenção. Se o falecimento tivesse ocorrido em 2026, a valorização do imóvel ao longo do tempo faria com que os herdeiros enfrentassem uma cobrança bem mais alta.

Receio de taxas altas adia processos

O medo de taxas elevadas leva muitas famílias a adiar o inventário. A falta de uma análise técnica prévia, segundo a especialista, cria a falsa impressão de que o processo vai inviabilizar o orçamento familiar.

A orientação para quem tem bens pendentes de regularização é fazer uma previsão de custos antes de decidir não dar andamento ao processo. Examinar os documentos e as datas oficiais permite saber o valor real do imposto devido ou se há isenções previstas em lei.

Leia também